domingo, 2 de maio de 2010

Diário no encalço dos Incas - Parte VI


Almoço com o padre Jesús em Santa Cruz
Cadetral de Santa Cruz de La Sierra, erguida há mais de 150 anos
Combinamos um almoço com o Padre Jesús, no restaurante Santana. Apesar da insistência de alguns para comer sandwich (o que lá não havia, no estilo Mc Donald's), fizemos uma boa refeição, ao som de música boliviana, ao vivo, e tomando paceña, a cerveja nacional boliviana. Estamos eu, Marco Aurélio, André, Otto e Saldanha. Nos acompanham o Pe. Jesús e o Marcos Divino, que moram em Santa Cruz, trabalhando em nome da ordem San Pedro Ad Víncula.
Dunas no centro da Bolívia
 
Dunas em Santa Cruz
 
Depois do almoço, o Marcos Divino nos levou para uma região de dunas. Passamos parte da tarde por lá. Depois voltamos para o centro, compramos remédio para a altitude e ganhamos um saco de folha de coca, presente do irmão Marcos Divino.
Viagem para La Paz
"cholas y hoja de coca"
Saímos para La Paz, de ônibus, às 19h e 30 min. Fizemos uma viagem tranquila até agora. Já ao amanhecer, dia 08 de janeiro de 2005, começamos avistar a Cordilheira Oriental Andina. A estrada é perigosíssima. Começamos a mascar folha de coca, e tomar mate nas paradas. Vimos lhamas, casebres feitos de palha e barro, mulheres vestidas com a "pollera". Elas são chamadas de "cholas". Carregam no corpo uma grande quantidade de coisas. Usam chapéu, tem fisionomia bem típica e são baixas.


 O Marco Aurélio passou mau na estrada e a maioria se medicou com o produto feito a base de folha de coca e cafeína.
O João da São Francisco
Chegamos a La Paz e conseguimos um "bom" hotel, o Latino. Lá ficamos hospedados os sete. É que adotamos mais um paulista perdido e solitário, o João, estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP). Depois do banho saímos para fazer o cambio, de dólares para bolivianos, e almoçar.
Mc Donalds falido
Houve um impasse. Alguns queriam sandwiches, semelhantemente ao Mc Donalds e outros não. Para o conhecimento de todos, não há Mc Donalds aqui em La Paz. O de Santa Cruz faliu, uma vez que as pessoas se sentiam intimidadas e preferiam suas comidas típicas. A solução foi "rachar" o grupo. Eu almocei com o João, o Otto e o Alessandro. Quando entrei no restaurante, um antigo seminário do séc. XVIII, pensei que iria comer uma ótima comida, estava passando fome, tonto e com náuseas. Os efeitos da altitude me acometiam. Comemos um "pollo" mau passado e cortado em três ou quatro partes.
Mercado das bruxas em La Paz
La Paz está há 3660 metros acima do nível do mar. Saímos depois, os três, para o mercado das bruxas. Fica próximo da Igreja mais antiga da cidade, a San Francisco, que fica também na praça San Francisco. Encontramos lá toda sorte de artesanatos regionais, roupas e artigos para simpatia: lhama seca, sapo seco, gato seco... Além de inúmeras lembrancinhas, bijuterias e coisas do gênero. Nos dirigimos depois para a rua dos museus, mas chegamos atrasados. Estava fechado.
 
 
Mongos
 

 
Conhecemos, na noite, um bar chamado Mongos, frequentado por mochileiros do mundo inteiro. Nos divertimos bastante. Dormimos tarde e acordamos no dia 09, muito cedo, para ir ao passeio numa montanha andina em La Paz mesmo. o lugar é conhecido como Chacaltaya.

Antiga estação de esqui no monte Chacaltaya, em La Paz

 

sábado, 20 de março de 2010

Diário no encalço dos Incas - Parte V


LENTIDÃO DO TREM DA MORTE


O Trem da Morte pára muito mais que os "pinga-pinga" do nordeste. São paradas em pequenos povoados muito pobres. Os vendedores entram no trem e vendem de tudo. Limonada, refrigerante, refições prontas, limão...
A velocidade é bastante lenta, o André até agora ainda não se acostumou. O meu estranhamento foi diminuindo. Os bolivianos são acolhedores, estão sempre conversando conosco. A noite entrou e a ameaça de ataques de monsquitos não se concretizou.
A verdade é que estamos todos menos desconfiados, mais relaxados e adormecidos. Desmaiamos todos nós. A noite passou tranquila. Hoje são 07 de janeiro de 2005 e estamos a 100km de Santa Cruz de La Sierra. O trem segue lentamente. Estou respirando um ar puro e avistando a sempre mesma paisagem: árvores amontoadas, baixas, não muito charmosas. Lembram aquilo que nós, no Brasil, chamamos mato.

ALIMENTAÇÃO NA ESTRADA

Nossa alimentação na estrada são barras de cereais e frutas em passas. Ontem quando fizemos a primeira parada da noite, depois de longo tempo de viagem, atordoados pelo calor e tomando água quente, avistamos uma banca na beira do trilho que vendia coca cola.
COCA-COLA


Nós que tando criticamos outrora o capitalismo e o imperialismo americano, estávamos ávidos por uma cola-cola. Reconhecemos a importância da presença dessa marca naquele longínquo lugar. Foi um prazer e uma satisfação indescritível. Entendemos que a globalização tem suas vantagens. E sentimos isso organicamente. Seguimos agora rumo a Santa Cruz.

ENTRANDO EM SANTA CRUZ DE LA SIERRA E AVISTANDO POLÍTICA

Estamos começando entrar nos arredores da Santa Cruz. Nas casas simples, como sempre, avistamos bandeiras nas faixadas. São bandeiras dos partidos políticos que as famílias escolheram no recente processo eleitoral, a partir do qual foram eleitos os "ALCAlDES" (prefeitos). Os candidatos a "alcalde" derrotados são os "consejales" (conselheiros). Há também a eleição para presidente, deputados estaduais e federais.


PRIMEIRO FURTO

Enquanto o Fernando me explicava o processo eleitoral boliviano, exatamente agora, um homem furtou o boné do Chicura. Esse foi o primeiro furto por esse grupo. O boné dele foi arrancado da sua cabeça pela janela do trem. Coisas da vida. Estamos tranquilos, sabemos das "fábulas" e das verdades sobre essa terra. É como no Brasil. Chegamos na Rodoferroviária de Santa Cruz às 9h e 15min. Imediatamente compramos as passagens para La Paz. Em minutos já não havia mais uma sequer. Aprendemos bem a lição (É certo que os preços das passagens variavam conforme a nacionalidade de cada pessoa, os do primeiro mundo pagavam mais. Isso era decidido na hora a partir do olhar do vendedor).

PRIMEIRA PENSÃO

Railton, Chicura e Saldanha na estação de trem de Santa Cruz de
 La Sierra

Liguei para os padres da ordem Ad Vincula, conhecidos meus, e não conseguimos estabelecer uma muito clara comunicação. O espanhol às vezes é difícil de ser entendido. Procuramos, em seguida, uma pensão com cinco camas, TV à cabo e banho fresco por oitenta bolivianos (com um dólar compramos 8 ou 9 bolivianos à época). Estamos de banho tomado, descansando um pouco e nos preparando para sair para o almoço.

O BOM COMANDANTE: ERNESTO CHE


O comandante Ernesto Guevara de La Sierna passou pr essa cidade. Sua mais conhecida trilha vai até um lugar mais ou menos próximo daqui, Vallegrande. Segundo o que nos disse o Fernando, o militar que recebeu ordens maiores para executar o Che ainda está vivo. Ele não teve coragem de matar o comandante. Ordenou a um soldado que o fizesse.

TRAJETÓRIA E MORTE DE GUEVARA


O Che iniciou seu trabalho dialogando, palestrando para os camponeses. As testemunhas afirmam que era um homem estremamente educado. Afirmam também que ele já chegou por aqui um pouco adoentado. Não previa que o mato era tão fechado e difícil para fazer trilhas. Passou a ser intensamente perseguido. Quando os militares o encontraram, segundo o que afirmam, ele era acolhido e ajudo por camponeses numa TAPERA. Estava muito doente e debilitado (magro, cabeludo, barbudo, sujo, esfarrapado). O final da história todos sabem. O Che perdeu a vida pelas mão de um covarde que para atirar teve que ser embriagado. Tomaram posso de um único bem que ele tinho, um relógio. O comandante fez um apelo para que não errasse, mas foram vários tiros para que conseguisse vitimá-lo com morte(segundo afirmam, o Che se contorcia e mordia os pulsos, a fim de evitar gritar por causas dos tiros acertados nas suas pernas e braços, até que a agonia foi terminada com um tiro fatal no peito). Ernesto Che era um bravo guerreiro da justiça e um grande mestre do socialismo. Ensinava com paciência e lutava com paixão.

domingo, 31 de janeiro de 2010

De onde vimos?

Meu filho Arthur, de quatro anos, narrou a mim hoje como era o céu de onde ele veio antes de nascer:
"tinha computador, bolo de nuvens, espaguete de nuvens, chão de nuvens, biscoito de nuvens, teto de nuvens, caneta de nuvens, congelador de nuvens, geladeira de nuvens, armário de nuvens, caneta de cimento de nuvens. Havia poucas coisas, era legal, todos os meus coleguinhas de escola estavam lá. Lareira de nuvens.
Para fazer uma lareira de nuves você pega cimento de nuvens, pega chiclete normal, mastiga ele, e cola.
Lá também tinha tijolo de vidro. Tinha câmara, DVD, controle do ar condicionado (eram feitos de vidro).
Lá tinha um trofeu da maior letra do mundo, a letra A.
Também tinha o trofeu da letra B. Tinha também o trofeu da letra C. Tinha o trofeu da letra H. Tinha o trofeu da letra U. Tinha um trofeu da letra O. Tinha o trofeu da letra P.
Lá também tinha copos de nuvens. Garrafinhas do Girafas de nuvens, Arthur de anjinhos, copos de cimento de nuvens."

domingo, 13 de dezembro de 2009

Stephen Hawking no CERN


Vejam que fabuloso, o homem que ocupa a cadeira de Isaac Newton, nada mais nada menos que Stephen Hawking, acompanhando os trabalhos no LHC, em Gasgow. Trata-se do acelerador de partículas. Podemos acompanhar algumas imagens das colisões e interações através do site: http://atlas.ch/

Graças ao Arthur Moraes, amigo que conheci há mais de uma década, voraz estudioso, mente brilhante, hoje um raro cientista e PhD brasileiro, que trabalha no CERN em Gasgow.

O assalto e a poluição na nossa "CARA".


O que vocês acham desse assalto protagonizado diariamente em Goiânia por esse grupo poderoso grupo (o mau nominado Sindicato), à revelia do MP, formando ainda Cartel, mantendo do preço da gasolina R$ 2.65,00 e do álcool R$ 1.65,00, com variações cinicamente irônicas de um ou dois centavos?

O que vocês pensam em tempos de Conferência do Clima em Copenhague, deainda encontramos tantos caminhões desregulados soltando toneladas e tonelas de dioxido de carbono na nossa "CARA", cotidianamente nessa cidade, e não há DETRAN ou qualquer órgam arrecador de dê jeito nisso.

Por que o município de Goiânia ou o Estado de Goiás ainda não criou leis mais rígidas com relações as emissões de dióxido de carbono?

Essas perguntas e tantas outras me intrigam!

Blog do Professor Railton: TWITTER

Amigos resolvi aderir ao twitter.


Nele encontrei informações rápidas contendo páginas interessantes sobre filosofia, educação, arte, mídia, educação patrimonial, meio ambiente, sociologia, política e outras curiosidades interessantes que podem ser aproveitadas. Tome nota:


http://www.twitter.com/railtonsouza


Abração!

sábado, 5 de dezembro de 2009

"A repetição, a repetição, a repetição..."

"A repetição é a mãe do estudo."

Fonte: http:// www.filosofia.com.br/php
Charge de Rosali