segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Vida

Percurso






Hoje é o meu aniversário. Fiz desse dia um dia simples. Trabalho. Cuidado com o Arthur. Carinho da esposa. Descanso.

Aniversário para mim sempre foi muito ligado a um sentimento narcísico. Mas o caminho que eu tenho trilhado está me afastando dessa necessidade de espelho.

A vida significa hoje para mim um caminhar sem vacilar, uma decisão de seguir o rumo. Ainda que em algum momento certas coisas possam não fazer tanto sentido.

Não sei ainda para onde estou indo, mas confio no fado.

Nesse percurso existencial, alguns companheiros de viagem ficaram para trás, outros seguiram outros caminhos nas encruzilhadas.

A vida é feita de escolhas. Nossas escolhas nos aproximam de uns e nos afastam de outros.

Encontramos outros novos amigos que estão no mesmo ritmo que perfazemos.

Há pedras no caminho. Há pessoas que nos agridem. Fazem isso porque não conseguem fazer de outro jeito. Não por maldade gratuita.

O amor é sempre um bálsamo que nos alenta. É energia de vida.

O amor é a vida que irrompe, que teima em existir e subsistir.

O amor é a conquista do bem e da verdade.

O amor é a justiça a nos endireitar, a nos dar prumo.

É saber conviver.

Com o passar dos anos, meus passos tão agitados e apressados, estão ficando mais calmos.

Ainda acredito que é importante simplificar a vida. Todos os sábios, epicuristas, estóicos, cínicos, os socráticos e não socráticos, afirmaram a necessidade de buscar o essencial. O que é o essencial?

A tarefa mais árdua é não perder jamais o senso da justiça, da verdade, da equidade e a alegria de viver.

Superar o narcisismo é entender que não somos tão importantes e indispensáveis quanto pensávamos.

Estamos submetidos às mesmas contingências e vicissitudes que qualquer outro semelhante nosso está.

O que talvez nos separe, nos diferencie, são nossos propósitos, nossas escolhas, a disposição para fazer o bem, para buscar o bem coletivo.

Acabamos atraindo pessoas assim para perto de nós, para o nosso convívio.

É claro que convivemos também com os egoístas. O egoísmo é um estilo de vida muito comum. É uma realização do instinto, da energia de vida, da autopreservação, levada ao extremo. É possível sim conviver com os egoístas, não recriminá-los. Mas quando somos muito altruístas, às vezes nos aflinge demais a atitude deles.

Agora preciso sair. Vou descer para encontrar um ou dois amigos aqui em frente de casa. Quem sabe uma cerveja, um brinde à vida...

domingo, 8 de agosto de 2010

Diário no encalço dos Incas - Parte VII

 
O monte Chacaltaya em La Paz





A empresa do ciy-tour enviou um ônibus ao hotel para nos buscar. O ônibus parecia uma Torre de Babel. Havia lá suíços, argentinos, alemães, chilenos, colombianos entre outras nacionalidades. Quando iniciamos a subida não imaginávamos o perigo que nos esperava. O ônibus circulava a montanha numa estrada cheia de cascalho, sem proteção nenhuma para os abismos que avistávamos. Ouvíamos numa mesma língua todos gritarem: uh, uh, uh, uh!!!!!!

Foi uma experiência de medo.

Estação de Esqui no Chacaltaya


Ao chegarmos no local, estávamos já sem ar (oxigênio) e com frio. Avistamos a neve no pico dos montes andinos. Tomamos "mate de coca" e iniciamos uma subida pelas trilhas. Andávamos 15 metros e parávamos sem ar e já querendo desistir. O Saldanha, o Marco Aurélio e o Chicura se adiantaram. Eu e o André seguimos atrás. Paramos inúmeras vezes pensando em desistir. Estávamos num altitude de aproximadamente 5421 metros acima do nível do mar.

Quanto mais subíamos, mais sem ar, com tontura e medo ficávamos. Testando os limites do corpo, controlando a respiração e os batimentos cardíacos, a cada parada conseguimos chegar no primeiro mirante. Estávamos acabados. Buscamos força e ar onde não havia mais e continuamos caminhando até o último topo. A visão é linda!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Percebi o quanto somos pequenos e frágeis. Bastava escorregar numa pedra e estaríamos liquidados para sempre. A grandeza da natureza revela a nossa pequenez, mas ao mesmo tempo desperta no nosso ser a vontade de desafiá-la. O que na verdade é um desafio a nós mesmos. Quando voltamos, começou a cair a temperatura e a chuva de granizo aumentava.

Railton no Vale da Lua
Descemos mais rápido e voltamos no ônibus passando mau. O ônibus seguiu para o Vale da Lua. Um lugar belo, formações geológicas irregulares que lembram o solo lunar. O André ficou no hotel para providenciar as passagens para Copacabana, uma cidade construída pelos colonizadores espanhois nas margens do lago Titicaca, o maior navegável da América. Também é o mais alto do mundo.


Vale da Lua

sábado, 15 de maio de 2010

Reajuste salarial para professores da educação básica em Goiás é de 7%



Reajuste salarial para professores da educação básica, negociado em convenções coletivas pelo Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (Sinpro-GO), com dois sindicatos patronais, tanto da capital quanto do interior, é de 7%. Embora menor do que foi reivindicado (10%), o índice, com data-base em 1º de maio, é bastante significativo, considerando a inflação relativamente baixa.

Nesse índice de 7% de reajuste estão incorporados 5,49% de variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo IBGE no período de 1º de maio de 2009 a 30 de abril de 2010, acrescido de 1,51%. Esse índice acordado representa 27,5% de acréscimo, acima da inflação. Veja a matéria completa em:

quinta-feira, 6 de maio de 2010

SHOW COM O MELHOR DA MPB




Amigos, Fiquem atentos para um evento mais que bacana, um momento especial para o deleite da alma e para a elevação estética do espírito:




SHOW COM LAÉRCIO CORRENTINA, TONINHO HORTA E GERALDO AZEVEDO.






quarta-feira, 5 de maio de 2010

LISTA DE CRIANÇA

Em meio a minha correria de docente, trabando em sala de aula e na sala de casa, meu filho Arthur me fez uma exortação: "Pai pega um papel e escreva aí uma lista de criança". Vejam o que ele me ditou:

1) DESENHO
2) BRINCAR COM OS COLEGUINHAS
3) BRINQUEDOS
4) BOLA
5) PARQUE DE DIVERSÕES
6) DAR RAÇÃO PARA O CACHORRO
7) LIVROS INFANTIS
8) IR À ESCOLA
9) VIAGEM PARA A PRAIA
10) ABRAÇO NO PAPAI
11) BRINCAR NA ÁRVORE
12) ASSISTIR TELEVISÃO
13) JOGAR NO COMPUTADOR
14) COMER COISAS GOSTOSAS.

Meu filho Arthur Souza tem 4 anos. Essa lista ele fez para que eu não esquecesse que criança tem suas particularidades e rotinas lúdicas.

domingo, 2 de maio de 2010

Diário no encalço dos Incas - Parte VI


Almoço com o padre Jesús em Santa Cruz
Cadetral de Santa Cruz de La Sierra, erguida há mais de 150 anos
Combinamos um almoço com o Padre Jesús, no restaurante Santana. Apesar da insistência de alguns para comer sandwich (o que lá não havia, no estilo Mc Donald's), fizemos uma boa refeição, ao som de música boliviana, ao vivo, e tomando paceña, a cerveja nacional boliviana. Estamos eu, Marco Aurélio, André, Otto e Saldanha. Nos acompanham o Pe. Jesús e o Marcos Divino, que moram em Santa Cruz, trabalhando em nome da ordem San Pedro Ad Víncula.
Dunas no centro da Bolívia
 
Dunas em Santa Cruz
 
Depois do almoço, o Marcos Divino nos levou para uma região de dunas. Passamos parte da tarde por lá. Depois voltamos para o centro, compramos remédio para a altitude e ganhamos um saco de folha de coca, presente do irmão Marcos Divino.
Viagem para La Paz
"cholas y hoja de coca"
Saímos para La Paz, de ônibus, às 19h e 30 min. Fizemos uma viagem tranquila até agora. Já ao amanhecer, dia 08 de janeiro de 2005, começamos avistar a Cordilheira Oriental Andina. A estrada é perigosíssima. Começamos a mascar folha de coca, e tomar mate nas paradas. Vimos lhamas, casebres feitos de palha e barro, mulheres vestidas com a "pollera". Elas são chamadas de "cholas". Carregam no corpo uma grande quantidade de coisas. Usam chapéu, tem fisionomia bem típica e são baixas.


 O Marco Aurélio passou mau na estrada e a maioria se medicou com o produto feito a base de folha de coca e cafeína.
O João da São Francisco
Chegamos a La Paz e conseguimos um "bom" hotel, o Latino. Lá ficamos hospedados os sete. É que adotamos mais um paulista perdido e solitário, o João, estudante da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP). Depois do banho saímos para fazer o cambio, de dólares para bolivianos, e almoçar.
Mc Donalds falido
Houve um impasse. Alguns queriam sandwiches, semelhantemente ao Mc Donalds e outros não. Para o conhecimento de todos, não há Mc Donalds aqui em La Paz. O de Santa Cruz faliu, uma vez que as pessoas se sentiam intimidadas e preferiam suas comidas típicas. A solução foi "rachar" o grupo. Eu almocei com o João, o Otto e o Alessandro. Quando entrei no restaurante, um antigo seminário do séc. XVIII, pensei que iria comer uma ótima comida, estava passando fome, tonto e com náuseas. Os efeitos da altitude me acometiam. Comemos um "pollo" mau passado e cortado em três ou quatro partes.
Mercado das bruxas em La Paz
La Paz está há 3660 metros acima do nível do mar. Saímos depois, os três, para o mercado das bruxas. Fica próximo da Igreja mais antiga da cidade, a San Francisco, que fica também na praça San Francisco. Encontramos lá toda sorte de artesanatos regionais, roupas e artigos para simpatia: lhama seca, sapo seco, gato seco... Além de inúmeras lembrancinhas, bijuterias e coisas do gênero. Nos dirigimos depois para a rua dos museus, mas chegamos atrasados. Estava fechado.
 
 
Mongos
 

 
Conhecemos, na noite, um bar chamado Mongos, frequentado por mochileiros do mundo inteiro. Nos divertimos bastante. Dormimos tarde e acordamos no dia 09, muito cedo, para ir ao passeio numa montanha andina em La Paz mesmo. o lugar é conhecido como Chacaltaya.

Antiga estação de esqui no monte Chacaltaya, em La Paz

 

sábado, 20 de março de 2010

Diário no encalço dos Incas - Parte V


LENTIDÃO DO TREM DA MORTE


O Trem da Morte pára muito mais que os "pinga-pinga" do nordeste. São paradas em pequenos povoados muito pobres. Os vendedores entram no trem e vendem de tudo. Limonada, refrigerante, refições prontas, limão...
A velocidade é bastante lenta, o André até agora ainda não se acostumou. O meu estranhamento foi diminuindo. Os bolivianos são acolhedores, estão sempre conversando conosco. A noite entrou e a ameaça de ataques de monsquitos não se concretizou.
A verdade é que estamos todos menos desconfiados, mais relaxados e adormecidos. Desmaiamos todos nós. A noite passou tranquila. Hoje são 07 de janeiro de 2005 e estamos a 100km de Santa Cruz de La Sierra. O trem segue lentamente. Estou respirando um ar puro e avistando a sempre mesma paisagem: árvores amontoadas, baixas, não muito charmosas. Lembram aquilo que nós, no Brasil, chamamos mato.

ALIMENTAÇÃO NA ESTRADA

Nossa alimentação na estrada são barras de cereais e frutas em passas. Ontem quando fizemos a primeira parada da noite, depois de longo tempo de viagem, atordoados pelo calor e tomando água quente, avistamos uma banca na beira do trilho que vendia coca cola.
COCA-COLA


Nós que tando criticamos outrora o capitalismo e o imperialismo americano, estávamos ávidos por uma cola-cola. Reconhecemos a importância da presença dessa marca naquele longínquo lugar. Foi um prazer e uma satisfação indescritível. Entendemos que a globalização tem suas vantagens. E sentimos isso organicamente. Seguimos agora rumo a Santa Cruz.

ENTRANDO EM SANTA CRUZ DE LA SIERRA E AVISTANDO POLÍTICA

Estamos começando entrar nos arredores da Santa Cruz. Nas casas simples, como sempre, avistamos bandeiras nas faixadas. São bandeiras dos partidos políticos que as famílias escolheram no recente processo eleitoral, a partir do qual foram eleitos os "ALCAlDES" (prefeitos). Os candidatos a "alcalde" derrotados são os "consejales" (conselheiros). Há também a eleição para presidente, deputados estaduais e federais.


PRIMEIRO FURTO

Enquanto o Fernando me explicava o processo eleitoral boliviano, exatamente agora, um homem furtou o boné do Chicura. Esse foi o primeiro furto por esse grupo. O boné dele foi arrancado da sua cabeça pela janela do trem. Coisas da vida. Estamos tranquilos, sabemos das "fábulas" e das verdades sobre essa terra. É como no Brasil. Chegamos na Rodoferroviária de Santa Cruz às 9h e 15min. Imediatamente compramos as passagens para La Paz. Em minutos já não havia mais uma sequer. Aprendemos bem a lição (É certo que os preços das passagens variavam conforme a nacionalidade de cada pessoa, os do primeiro mundo pagavam mais. Isso era decidido na hora a partir do olhar do vendedor).

PRIMEIRA PENSÃO

Railton, Chicura e Saldanha na estação de trem de Santa Cruz de
 La Sierra

Liguei para os padres da ordem Ad Vincula, conhecidos meus, e não conseguimos estabelecer uma muito clara comunicação. O espanhol às vezes é difícil de ser entendido. Procuramos, em seguida, uma pensão com cinco camas, TV à cabo e banho fresco por oitenta bolivianos (com um dólar compramos 8 ou 9 bolivianos à época). Estamos de banho tomado, descansando um pouco e nos preparando para sair para o almoço.

O BOM COMANDANTE: ERNESTO CHE


O comandante Ernesto Guevara de La Sierna passou pr essa cidade. Sua mais conhecida trilha vai até um lugar mais ou menos próximo daqui, Vallegrande. Segundo o que nos disse o Fernando, o militar que recebeu ordens maiores para executar o Che ainda está vivo. Ele não teve coragem de matar o comandante. Ordenou a um soldado que o fizesse.

TRAJETÓRIA E MORTE DE GUEVARA


O Che iniciou seu trabalho dialogando, palestrando para os camponeses. As testemunhas afirmam que era um homem estremamente educado. Afirmam também que ele já chegou por aqui um pouco adoentado. Não previa que o mato era tão fechado e difícil para fazer trilhas. Passou a ser intensamente perseguido. Quando os militares o encontraram, segundo o que afirmam, ele era acolhido e ajudo por camponeses numa TAPERA. Estava muito doente e debilitado (magro, cabeludo, barbudo, sujo, esfarrapado). O final da história todos sabem. O Che perdeu a vida pelas mão de um covarde que para atirar teve que ser embriagado. Tomaram posso de um único bem que ele tinho, um relógio. O comandante fez um apelo para que não errasse, mas foram vários tiros para que conseguisse vitimá-lo com morte(segundo afirmam, o Che se contorcia e mordia os pulsos, a fim de evitar gritar por causas dos tiros acertados nas suas pernas e braços, até que a agonia foi terminada com um tiro fatal no peito). Ernesto Che era um bravo guerreiro da justiça e um grande mestre do socialismo. Ensinava com paciência e lutava com paixão.