A Revolução Francesa com sua Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi o primeiro marco civilizacional da época moderna, estabelecendo direitos civis. A luta dirigida pelo movimento operário internacional consolidou direitos políticos e sociais. A emergência da barbárie, agravada por esse sistema financeirista e monopolista que degrada homem e natureza, ameça todos os direitos humanos. Aprofundando a democracia, devemos aspirar um novo marco civilizacional: o socialismo.
sábado, 18 de junho de 2011
2º Encontro Nacional dos blogueiros progressistas!
por Rodrigo Vianna
Na sala reservada aos convidados, logo atrás do palco, Lula estava ansioso. A mesa de abertura do Segundo Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas era conduzida por Maria Frô e Ênio Barroso. Os dois blogueiros saudaram as mais de 400 pessoas presentes, e chamaram – antes de Lula – o governador do Distrito Federal, Agnello Queiroz, que deu as boas vindas aos participantes que acabavam de chegar ao auditório da CNTC (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio)
Atrás do palco, Lula brincava, inspiradíssimo: “agora ficou chic ser brogueiro”, fazendo graça com os que dizem que ele erra no Português. “ Eu quero ver o Agnello falar pros ´brogueiros´progressistas”. Lula não se agüentou, pôs a cabeça pra fora da porta, olhando para o auditório gigante. Cinegrafistas e fotógrafos perceberam a presença do ex-presidente e os flashes estouraram.
Cinco minutos depois, Ênio chamou à mesa aquele homem inquieto, que foi saudado de pé: “Lula, guerreiro, do povo brasileiro”.
Numa fala de improviso, Lula mandou alguns recados. Primeiro aos blogueiros, lembrando o papel da internet como contraponto à velha mídia na última campanha eleitoral:
“os blogueiros tiveram um papel extraordinário, mostraram que o povo não precisa mais de intermediário mais na comunicação.”
Citou o caso da “bolinha de papel”, mandando então recados a Serra e aos tucanos:
“às vezes, eu tenho vontade de ir naquela clínica ver o exame que foi feito na cabeça do candidato”
E arrematou:
“Quem chamou você de blogueiros sujos era quem fazia a sujeira”
Lula deu outros recados. Um deles, especial, dirigido ao Ministro das Comunicações Paulo Bernardo, que falaria logo depois:
“Paulo, a gente nao pode ter medo do debate”.
Aliás, um detalhe curioso. Quando Lula citou Bernardo, houve aplausos discretos. Quando citou a presença de Franklin Martins (que dirigia a Secom no governo de Lula), o público aplaudiu efusivamente. Um reconhecimento de que Franklin teve a coragem de mexer em pontos sensíveis, ao propor um novo Marco Regulatório – que Paulo Bernardo promete mandar ao Congresso em breve (mas há certa desconfiança sobre qual projeto será enviado: o original, do Franklin? Ou um projeto mais amaciado, para agradar certas corporações?).
Ao final da fala, Lula foi cercado por blogueiros e militantes. O povo queria fotos, queria autógrafos. O sururu estava criado: aquilo virou uma confusão. Maria Frô conseguiu botar ordem na casa, depois de algum esforço. Lula desceu do palco, e seguiu para sala dos convidados. Dois blogueiros peruanos – que acompanharam a recente eleição de Ollanta Humala – entraram na sala pra falar com Lula. E ele fez graça de novo:
“Olha aí, onde tem brogueiro, a gente elege um mala”.
Lula foi embora, seguido por aquele batalhão de repórteres e cinegrafistas do chamado PIG, que tentavam arrancar uma declaração qualquer. Eu – que sou jornalista de TV, e tantas vezes estive na pele daqueles pobres (alguns nem tão pobres) repórteres, que se acotovelam atrás da autoridade que precisa ser entrevistada – fiquei até com pena.
Lula parou pra falar com militantes, com uma senhora sergipana que pedia autógrafos. Tirou fotos, distribuiu abraços. Aos repórteres, nada! Aquele também era um recado. Os intermediários da comunicação estão perdendo espaço e poder.
A presença de Lula foi uma festa. Mas foi também uma grande vitória. Lula não tem ido a qualquer evento. Dá palestras pagas, com cachê alto (que ajuda a bancar o Instituto que ele está montando em São Paulo).
Mas a presença ali na abertura do Segundo Encontro de Blogueiros, sem cachê, e com o vigor e a energia demonstrados, era mais um recado: Lula reconhece o papel central da nova comunicação. Reconhece o papel dos “brogueiros”.
E prometeu, mais uma vez: em breve também será um “brogueiro”.
Brogueiro sujo? Pode ser… Mas lembrando sempre: quem faz sujeira,mesmo, é outra turma, que a gente conhece bem…
PS: agora há pouco, depois das belas falas de Comparato, Erundina e Venicio, Paulo Henrique Amroim pediu a palavra e lembrou – Ä festa de ontem (com Lula) foi bonita, mas é preciso lembrar que essa festa nao é completa porque o governo anterior não teve coragem de encarar a batalha do Marco Regulatorio”. Ou seja: Lula fez menos do que poderia nessa área da comunicacao.
quinta-feira, 2 de junho de 2011
ASSEMBLÉIA GERAL DOS PROFESSORES
A data-base das negociações é 1º de maio, porém, há mais de mês, após se iniciar o processo de negociação, os representantes dos donos de escolas particulares de Goiânia se mantêm intransigentes e insensíveis às reivindicações básicas de nossa categoria.
Dia: 3 de junho – 6ª feira
Hora: 16 horas
Local: Sindicato dos Professores do Estado de Goiás
Professores (as),
O Sindicato dos Professores do Estado de Goiás está negociando com o sindicato dos donos das escolas particulares (SEPE) a Convenção Coletiva para definir o reajuste salarial e as condições de trabalho de professores (as) da rede particular em 2011.
A data-base das negociações é 1º de maio, porém, há mais de mês, após se iniciar o processo de negociação, os representantes dos donos de escolas particulares de Goiânia se mantêm intransigentes e insensíveis às reivindicações básicas de nossa categoria.
Quem não se lembra?
Quando eles tentaram retirar o limite de alunos em sala de aula e a remuneração de 1/3 da carga horária para o professor preparar aulas e corrigir provas, o atual Secretário de Educação do Estado de Goiás, Thiago Peixoto, ao tomar partido do patronato, declarou, em entrevista ao jornal O Popular: “As escolas particulares vão muito bem, obrigado!”
De fato, com o crescimento da economia brasileira, nunca se ganhou tanto dinheiro e nunca houve lucros tão exorbitantes com escola particular neste país.
No entanto, pergunta-se: e os (as) professores (as)?
Você sabia que o piso salarial da educação básica, nas escolas privadas, aqui na capital, é o mais baixo do Brasil? Pasme: apenas R$ 5,95! Será possível garantir educação de qualidade com salários absurdamente baixos, como insistem em manter os donos de escolas?
A sociedade não pode aceitar isso!
O SINPRO repudia veementemente esta situação e, por isso, está em luta por melhores salários, por condições dignas de trabalho para professores (as) e para garantir a qualidade da educação, com os melhores resultados para os nossos alunos!
Professores e professoras: vamos todos à Assembléia Geral do Sinpro. Agora é a hora de unirmos nossas forças e garantir melhores salários e condições dignas de trabalho!
Assembleia geral dos professores da educação básica
Dia: 3 de junho – 6ª feira
Hora: 16 horas
Local: Sindicato dos Professores do Estado de Goiás
Avenida Independência, Qd. 943, Lt. 33, n. 942, Setor Leste Vila Nova - Goiânia/GO - a 200 metros da Praça da Bíblia
(62) 3261-5455 www.sinprogo.org.br - sinprogo@sinprogo.org.br
domingo, 29 de maio de 2011
Matéria publicada em www.vermelho.org.br
O presidente do PCdoB de Rondônia, Manoel Nery, lamentou a morte de Adelino Ramos, líder do Movimento Camponês Corumbiara, morto na última sexta-feira (27), em Vista Alegre do Abunã, distrito de Porto Velho. Dinho, como era chamado, era membro da direção do partido e foi assassinado com seis tiros enquanto vendia frutas e verduras numa feira.
“Dinho foi mais uma vítima da violência no campo”, afirmou Nery. Ele disse que assim como a falta de reforma agrária, a violência em áreas rurais é um dos principais problemas de Rondônia. “Dinho não foi o primeiro e nem será o último a morrer por essa causa”, declarou.
Segundo Manoel, o líder camponês nunca deixou de sofrer ameaças de morte desde o massacre dos Corumbiaras, de onde consegui escapar com vida. A direção do PCdoB/RO vai pressionar as autoridades para que o crime seja apurado e os criminosos punidos.
Contrabando
O secretário de Produção Rural do Amazonas, Eron Bezerra, esteve recentemente na casa de Dinho, no Projeto de Assentamento Florestal (PAF) Curuquetê. O PAF fica localizado no sul de Lábrea (a 703 quilômetros de Manaus), com divisa entre os Estados do Amazonas, Acre e Rondônia.
Segundo Eron, Dinho estimava que saíam da área pelo menos 30 mil metros cúbicos de madeira e 20 mil cabeças de gado ilegalmente, por mês.
O secretário participou do velório e afirmou que a Sepror vai dar todo o apoio necessário à família e aos agricultores que ainda permanecerem no projeto de onde Dinho era o líder. “Estamos construindo 20 casas lá e apoiando a alfabetização daquelas pessoas. Isso não pode parar”, afirmou.
A presidente da Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Amazonas, Izete Rabelo, também comentou a morte de Dinho. “Precisamos continuar defendendo a floresta mas sem derramar nosso sangre”, declarou.
Policiamento
A Presidência da República vai se reunir segunda-feira (30) com os órgãos responsáveis para encontrar medidas para tentar diminuir a violência no campo e acabar com a impunidade no caso dos assassinatos motivados por questões agrárias e ambientais. A informação é do ouvidor agrário nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, que esteve na tarde de sábado no velório do líder camponês, Adelino Ramos.
O ouvidor atribui o crime à ausência de policiamento na região. “O delegado de Lábrea era um policial militar”, disse. Gercino afirmou que o líder camponês já havia alertado o órgão para as ameaças de morte que vinha sofrendo desde 2009. “Encaminhamos vários ofícios para a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas, Polícias Civil e Militar, delegacia de Polícia de Lábrea e para o Ministério Público, mas nada foi feito”, declarou.
Gercino disse que pelo menos cinco homicídios no sul de Lábrea tiveram motivação agrária nos últimos quatro anos. Na reunião com a presidência, o ouvidor vai sugerir a criação da polícia florestal federal, com o objetivo de prevenir crimes semelhantes. “Se aprovada, essa polícia vai cuidar tanto do patrimônio florestal quando da vida dos trabalhadores da floresta”, explicou.
Além do ouvidor agrário nacional, representantes do Incra e do ministério do Meio Ambiente estiveram no velório do líder do Movimento Camponês Corumbiara. A polícia federal também acompanhou o féretro.
O enterro do corpo de Dinho aconteceu na manhã deste domingo na cidade de Theobroma, aonde mora um de seus filhos.
De Porto Velho,
Mariane Cruz
segunda-feira, 11 de abril de 2011
SINPRO-GO INCENTIVA CULTURA EM GOIÁS
SOBRE O ESPETÁCULO
terça-feira, 5 de abril de 2011
Lúcio Packter em Goiânia
- Sistematizador da Filosofia Clínica –
sexta-feira, 11 de março de 2011
TiagoPeixotoPreposto
A Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, na virada do ano, projeto de lei que acabou com o limite de alunos do ensino médio em sala de aula nas escolas particulares. A lei complementar número 82, que entrou em vigor no dia 24 do mês passado, foi promulgada pelo próprio Legislativo e pôs fim também à destinação de pelo menos um terço da carga horária dos professores para atividades pedagógicas fora de sala, também apenas para a rede particular. O projeto é de autoria do ex-deputado Thiago Peixoto (PMDB), atual secretário estadual de Educação.
A matéria foi aprovada por unanimidade, em segunda e última votação, pelos 28 deputados presentes em plenário no dia 8 de dezembro do ano passado. Ela seguiu para o governador Marconi Perillo, que tem o poder de sancionar ou vetar, e ele solicitou o parecer do Conselho Estadual da Educação (CEE). O parecer, também por unanimidade dos membros do conselho, foi pela rejeição do projeto. Em ofício, a presidente do CEE, Lacy Guaraciaba Machado, justifica que a matéria "é inconveniente, tanto pelo aspecto legal, como pelo pedagógico".
No parecer, de quatro páginas, a presidente do CEE argumenta que o projeto fere princípios da Constituição Federal (como o da isonomia, no caso, entre escolas públicas e particulares, já que a limitação continuarão valendo para as primeiras) e que ele atropela a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação. Baseado no parecer, o governador Marconi Perillo optou por não sancionar nem vetar o projeto e o devolveu à Assembleia. Por se tratar de lei complementar (que precisa de quórum qualificado para aprovação), a própria Assembleia pode promulgá-lo e foi o que fez, no dia 24 do mês passado, em ato assinado pelo presidente, Jardel Sebba.
Especialistas ouvidos pelo POPULAR avaliaram que a mudança pode representar retrocesso e prejuízo para estudantes do ensino médio da rede particular. O projeto revogou o artigo 34 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação estadual, que fixava em 40 o número de alunos por sala de aula para o ensino médio.
Proprietários de escolas argumentam que, além de ser um anseio antigo da classe, muitas escolas já não observavam esse limite, que eles consideram não ter relação nenhuma com a qualidade do ensino.
Coordenador do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Educação do Ministério Público (MP) estadual, o promotor de justiça Everaldo Sebastião de Sousa estuda medidas jurídicas que devem ser tomadas contra a lei. Ele cogita até mesmo questionar sua constitucionalidade, argumentando que ela afronta princípios constitucionais como o da isonomia e o da igualdade.
"A LDB nacional estabeleceu princípios e foi regulamentada pela estadual. É um grande absurdo o que foi feito, que é focar a educação apenas no aspecto comercial, sem nenhuma preocupação com o processo pedagógico", diz o promotor.
Everaldo acrescenta que já existe uma preocupação com o processo pedagógico das escolas particulares. "Como empresa, seu principal interesse é comercial, é o lucro, mas cabe ao Estado criar limitações para isso", entende o promotor. Ele também se diz muito preocupado com o fim do tempo de atividades extra-sala dos professores da rede particular.
"Não tendo horário reservado para essas atividades, ele vai ter de se virar para preparar aulas e provas, entre outras ações", afirma.
Lista de doadores tem escolas particulares
O POPULAR consultou, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prestação de contas do deputado Thiago Peixoto - ele foi eleito deputado federal pelo PMDB, mas deixou o mandato para assumir a Secretaria Estadual da Educação. Dos 124 doadores da campanha do parlamentar, três são escolas e pelo menos um é proprietário de escola particular em Goiânia. Juntos, doaram apenas R$ 15 mil do total de R$ 2.131.713,17 que Thiago Peixoto declarou à Justiça Eleitoral.
Figuram como doadores o Colégio Visão, com R$ 5 mil, e MDO & Escolas Associadas Ltda. e R&M Sistema Educacional, com R$ 2,5 mil cada, além do presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Goiás (Sinepe), Krishnaaor Ávila, com R$ 5 mil. Grande parte de suas doações foram feitas pelo próprio Thiago Peixoto: são sete, que somam R$ 488 mil.
O POPULAR procurou também o Sindicato dos Professores do Estado de Goiás (Sinpro), que representa os docentes da rede particular, para comentar a nova legislação, mas não conseguiu contato com seus diretores por telefone nem por e-mail.
ENTREVISTA - Thiago Peixoto
"Tive apoio de várias escolas"
Por que o senhor apresentou esse projeto de lei?O primeiro ponto refere-se à carga horária dos professores. O que fiz foi apenas adequar a lei estadual à Constituição Federal, já que não cabe ao Estado e sim ao Congresso Nacional legislar sobre esse ponto, que diz respeito à jornada de trabalhador. Quanto ao segundo ponto, o mais polêmico, sobre acabar com o limite de alunos por sala de aula no ensino médio, um dos motivos é que a realidade da rede pública é muito diferente da particular. Eu o fiz com base em estudos de instituições sérias, como o Banco Mundial e da Universidade Mackenzie, que mostram que, tendo um professor de boa qualidade, o número de alunos por sala não é significante.
Como funcionaria isso na prática?Quer dizer que é melhor ter um ótimo professor dando aula para uma turma de 60 alunos do que dois professores regulares dando aulas para turmas de 30. Isso está comprovado tendo por base países que são referência em educação, como Coreia do Sul, Israel, Japão e Chile, entre outros.
Por que a regra vale para a escola particular e não para a rede pública?Porque não conseguimos garantir essa mesma situação na rede pública. Note que tive o cuidado de propor essa mudança apenas para o ensino médio. O nível de qualidade das escolas privadas goianas é um dos maiores do País. Outra preocupação é sobre o poder público interferindo em algo que está dando certo. Em vez disso, creio que cabe ao poder público dar uma atenção maior às suas escolas, que são prioridade.
Quando apresentou o projeto, o senhor já sabia que seria secretário da Educação?Não. Fui convidado no dia 22 de dezembro, depois de o projeto ter sido aprovado, e o convite foi uma grande surpresa. Mas ele não mudaria o projeto nem minha forma de pensar a educação.
Entre os doadores de sua campanha estão escolas e proprietários de escolas particulares. Isso interferiu na apresentação do projeto?Eu tive apoio não só com doações, mas de outras formas, de várias escolas. Isso ocorreu não pelo fato de apresentar o projeto, mas por ser alguém que sempre defendeu a educação com essa visão. Não houve nenhuma influência nesse sentido e minha posição é a mesma. Além disso, as doações foram pequenas, nada que pudesse influenciar uma eleição.
"Essa lei é uma estupidez", afirma educador da UFG
A alteração da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) da Educação estadual colocou o processo educacional relativo ao ensino médio unicamente nas mãos do mercado. A avaliação é do professor de Filosofia da Educação Ged Guimarães, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG). "É um grande absurdo, uma estupidez o que fizeram. Essa mudança não diz respeito em nenhum momento à qualidade de ensino, mas visa apenas ao lucro. É esse tipo de defesa da educação que propõem os parlamentares?", questiona.
Para Ged Guimarães, a iniciativa é "lamentável" porque a educação deve ser entendida como mais do que a simples transmissão de conhecimento. "Isso, sim, se faz via TV, internet e outros meios, mas o processo educacional tem a ver com formação integral e, para que ela se efetive, é necessário que haja proximidade entre o professor e o aluno", argumenta o educador, que é ex-diretor da Faculdade de Educação da UFG. "Essa lei, no mínimo, vai dificultar a aproximação permanente que se espera entre docente e discente", analisa.
Para ele, o que vai prevalecer é a lógica do mercado, em que haverá salas de aula cada vez maiores com uso maior de recursos tecnológicos (como microfones e internet). "O problema é que essa é uma concepção reducionista de educação, que vincula o conteúdo com mercadoria, mas a educação não pode ser tratada como mercadoria, ela é muito mais do que isso".
Em outra unidade da UFG, o Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (Cepae), o número máximo de alunos por sala de aula é de 30, inclusive para o ensino médio. Professora da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC/GO) e membro do Conselho Nacional de Esducação (CNE), a especialista em Educação Clélia Brandão avalia como "uma visão míope da realidade educacional" a lei complementar. "Não há mal que deva ser eterno; essa lei precisa ser revista", afirma.
De acordo com Clélia Brandão, em primeiro lugar deve estar a formação de crianças e jovens, independentemente de estarem na rede pública ou na rede particular de ensino. "A lei federal não faz esse tipo de distinção. As orientações são para ambas as redes, com base nas necessidades tanto de alunos quanto de professores", argumenta ela. "O estudante precisa ser acompanhado, reconhecido em sala de aula, e manter muitos alunos por sala dificulta esse econhecimento de cada um", diz. Quanto ao período paraa planejamento, suprimido na lei estadual Clélia diz: "O professor precisa de tempo extraclasse para participar da construção do projeto pedagógico da escola."
Professores avaliam que medida salva empregos
Para professores da rede particular de ensino da capital ouvidos pela reportagem, a mudança na lei estadual é acertada. "Didaticamente falando, é melhor trabalhar com uma turma de 40 alunos? Sim! É viável para a escola particular trabalhar com 40 alunos por sala? Não, e, por isso, acabo sendo a favor dessa mudança", pondera Sandro Juliano, professor de Química na rede privada há 15 anos.
Na opinião de Sandro, a alteração proposta na legislação estadual vem ao encontro das expectativas de professores e donos de escolas particulares como "única alternativa de sobrevivência". Ele analisa: "Com menos alunos, o aumento da mensalidade é inevitável e, em consequência, os pais podem tirar os filhos da escola, o que, por sua vez, pode resultar no fechamento de muitos estabelecimentos de ensino e em desemprego para os professores".
Avaliação semelhante faz o professor de Matemática Marco Aurélio Sombra, há 13 anos empregado na rede particular. "É claro que a questão incide diretamente sobre o nosso salário e não tenho como ser contra", declara. "A iniciativa privada tem perfeitas condições de escolher como quer trabalhar", completa ele.
Sinepe diz que limite não implica qualidade
O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado de Goiás (Sinepe), Krishnaaor Ávila, afirmou ao POPULAR que o projeto apresentado por Thiago Peixoto contemplou uma aspiração muito antiga das empresas de ensino. "Nós (donos de escolas) nos reunimos algumas vezes com o deputado antes de ele propor a matéria, que condiz com a realidade da educação hoje", argumenta Krishnaaor. "Há estudos no mundo inteiro que mostram que não existe relação entre qualidade de ensino e o número de alunos", diz.
Krishnaaor cita o caso da Coreia do Sul, país que promoveu uma revolução educacional e teve o melhor desempenho na última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa) entre todos os países pesquisados. "Na Coreia há salas com até mil alunos, o que comprova que não havia justificativa plausível para a manutenção desse limite", sustenta.
Ele diz que atualmente a maioria das escolas de ensino médio já não observava o limite. "Manter uma sala com 40 alunos elevava o custo das mensalidades", justifica. Questionado sobre se a liberação do número representará redução no valor das mensalidades, ele disse que ela "pode evitar maiores altas", mas não implicará redução de valores.
Sobre o fim do período da carga horária que deveria ser obrigatoriamente destinado a atividades extraclasse, Krishnaaor garante que a hora-atividade já está incluída no salário, de acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). "É matéria de competência federal, mas na prática já está contemplado (pela CLT)", garante.

