segunda-feira, 24 de junho de 2013

PACTO NACIONAL APRESENTADO HOJE PELA PRESIDENTE DILMA

É bom notar que as forças do retrocesso, antenadas com o passado histórico, estão interessadas em pautar o movimento não para promover mudanças autênticas, reformas profundas que beneficiem a coletividade, mas pretendem desestabilizar gradativamente o governo, apostam num agravamento de uma crise, para efetivar o seu projeto de poder alinhado com os interesses ocultos internacionais.... A presidente apresentou hoje a governadores e prefeitos de todo o país um pacto de mudanças. Resumidamente são essas as propostas da presidente:

1) convocação de um plebiscito que autorize uma Constituinte para fazer a reforma política.
2) nova legislação que considere a "corrupção dolosa como crime hediondo", com penas mais severas.
3) pacto de responsabilidade fiscal, com o objetivo de manter a estabilidade da economia e o controle da inflação.
4) o governo vai disponibilizar mais R$ 50 bilhões para investimentos em obras de mobilidade urbana.
5) a criação de um Conselho Nacional de Transporte Público, com a participação da sociedade e que deverá ter versões municipais.
6) reforçou a intenção do governo de contratar médicos estrangeiros para trabalhar no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente em regiões onde faltam mais profissionais.
7) para aumentar investimentos em educação reiterou que o governo defende a utilização de 100% dos royalties do petróleo e 50% do Fundo Social do pré-sal para o setor. Ela deixou claro que essa proposta depende de aprovação do Congresso Nacional.

Ao término do discurso de hoje, Dilma voltou a dizer que seu governo está ouvindo “a voz das ruas” e que é possível aproveitar este impulso para melhorar o país.

domingo, 23 de junho de 2013

Polícia lança bombas sobre manifestantes mineiros em 22/06/2013

E a polícia política das Minas Gerais cumpre determinação da FIFA e manda bombas sobre os mais de 65 mil manifestantes mineiros a fim de mantê-los afastados. Nunca imaginei que o país do futebol, fabricado pela Globo em tempos de milagre econômico da ditadura, protagonizaria isso: não aceitamos pão e circo! Não somos palhaços. Não queremos alimentar essa lógica nefasta da promíscua relação do Estado brasileiro com esses cartolas mafiosos do futebol e a REDE GLOBO (monopolizadora dessas copas com as quais fatura milhões) que destinam bilhões para obras faraônicas, (ainda que o dinheiro público seja emprestado como disse Dilma, sabemos as condições paternais desses empréstimos). O povo não quer pão e circo, programas imbecis de auditório no domingo. Essa porcaria televisionada tem que acabar. O povo não quer só comer, quer arte, que cultura de qualidade. Pois bem, o futebol, símbolo da alienação social brasileira ensejando grandes protestos! Simplesmente fantástico. O povo não quer mais essa idealização de jovens jogadores analfabetos feitos ídolos das crianças. Temos que incentivar nossas crianças a estudar, a fazer carreira como cientistas, pesquisadores, pensadores... Chega de manipulação! Viva essa brava e inconfidente (que não se submete, que revela os segredos inescrupulosos do Estado) gente mineira!

As manifestações e a democracia brasileira (Para Raniel Nascimento)

Raniel, brother, você me agradeceu pela aula, referindo-se ao texto que publiquei no meu mural apresentando minha opinião sobre as recentes manifestações que marcaram os últimos dez dias da vida do nosso país, o que chamou também a atenção do mundo para o país do futebol. Ô irmão, foram algumas reflexões que me ocorreram naquela noite tão marcante. A juventude é sempre o sinal e a o instrumento de concretização de tempos de mudança, quando vai para rua e grita que não aceita a hipocrisia, a manipulação, a mentira. Uma nova geração que entende o papel político do povo, o grande soberano, está se materializando. A realidade de um modelo de Estado (RES PÚBLICA) caro e mau gerido por uma classe política que se desconectou do seu grande mandatário (o povo) e que se encastelou em seu pequeno universo de tretas e de regalias está com os dias contados. Político não pode mais ser visto no Brasil como um glorioso e nobre artista global, mas como um mero servidor do povo que só é útil quando cumpre essa missão. Em outra situação de inutilidade deve ser extirpado do poder. Essa velha geração política que é herdeira da ditadura, que não entendeu o seu papel na construção de uma autêntica democracia que deve de fato se fundamentar na VONTADE GERAL, nos interesses públicos da SOCIEDADE CIVIL, está fadada ao fracasso. O povo está encontrando mecanismos de controle da atividade da classe política. A internet é uma ferramenta que serve a esse propósito. Quem quer ser político nesse novo paradigma deve indubitavelmente ouvir continuamente o povo, deve gostar de povo, deve estar no meio do povo. Deve sair dos castelos, dos seus confortáveis gabinetes... Deve mais que representar o povo, ser povo também. É sintomático, Raniel, que o país do futebol, do carnaval, das novelas, e do programa de auditório, tenha ido às ruas. É extraordinário que até mesmo em dia de jogo da seleção milhares prefiram ir às ruas do que ficar em casa. Esse país inventado pela globo, durante a ditadura, como bem nos alertou o documentário Muito Além do Cidadão Kane da BBC, produzido no início dos anos 1990, deve ser reinventado, e para melhor, para muito melhor. Salve irmão!

MINHAS IMPRESSÕES SOBRE AS MANIFESTAÇÕES QUE PARARAM O BRASIL NOS ÚLTIMOS DEZ DIAS


01)   Vamos lá... A história do Brasil, desde o infeliz Império, foi de intensa repressão aos movimentos populares. Um país que foi construído com muito sangue de índios, negros, pobres e de revolucionários. Notadamente durante o período regencial o cetro imperial verte muito sangue de populares. Pois bem, vejam o que aconteceu durante a denominada República Velha. O movimento trabalhista se organizou com o protagonismo de migrantes que trouxeram para o nosso país os ideais anarquistas e socialistas. Esses proletários europeus já tinham a experiência da organização trabalhista sindical no século XIX. O Brasil naquele tempo não tinha industriais e tão pouco proletários. O que tínhamos eram fazendas repletas de escravos. A República Velha reprimiu e criminalizou os pobres, negros que formavam favelas, de marginalizados analfabetos. Em 1917, antenados com o contexto internacional da Revolução Russa, São Paulo entrou em greve geral. Naquele contexto eclodiram mobilizações proletárias por várias regiões do país. A era Vargas começou reprimindo comunistas e anarquistas. Criou o ministério do trabalho, concedeu direitos aos trabalhadores, criou a CLT, sentou proletários e patrões e exerceu o controle das lideranças proletárias suscetíveis ao poder e às suas regalias, massacrou os ideólogos revolucionários ou os extraditou.
02)   A ditadura implantada entre 1964 e 1985 fez o trabalho de aniquilar os movimentos sociais que se apesar de Vargas e que continuaram após seu fatídico suicídio. Essa ditadura, iniciada por sob o governo de Castelo Branco, criminalizou a participação política do povo, matou líderes do movimento estudantil, operário, rural, artistas, professores...
03)   A redemocratização iniciada na década de 1980 (das diretas já até o horroroso governo de José Sarney) e efetivada sob a gestão americana que atrelou as políticas econômicas do Consenso de Washington aos empréstimos de instituições como FMI, BID e BIRD, viu o ressurgimento gradativo dos movimentos sociais (mulheres, negros, estudantes, sem teto, sem terra...). Com o processo de hegemonização do capitalismo, sem rival socialista e com desmantelamento do caridoso estado do bem estar social, ficou cada vez mais anacrônico lutar por causas sociais e políticas.
04)   A partir da década de 1990, e no nosso caso brasileiro durante os governos de FHC, houve uma efetivação da tentativa de inserção do país na globalização. Fernando Henrique não falava com os movimentos sociais, tratava-os com truculência sob a argumentação de que eram manobrados pela oposição, à época liderada pelo PT. A era FHC foi palco de intensas manifestações e ações dos movimentos sociais, especialmente do MST que ocupou até mesmo a fazendo do presidente tucano. Durante seu governo aconteceram grandes passeatas, as famosas dos cem mil que marchavam de vários rincões do país para Brasília (e lá eram afugentadas com as tropas e cavalarias de Joaquim Roriz, govenador do DF, naquele tempo).
05)   Durante a Era Lula aconteceu um gradativo processo de arrefecimento das grandes manifestações. Ainda que indiretamente, vários setores dos movimentos sociais sentiram-se no poder, e efetivamente lideranças advindas do sindicalismo e de outros movimentos organizados passaram a figurar os primeiros e segundos escalões do governo federal. A era Lula com suas políticas sociais, com a geração de emprego, com as políticas que favorecem o crescimento da chamada classe C, e com a paz com os bancos e gigantes do capitalismo tupiniquim, provocou um otimismo geral e uma sensação de que o país estava imune à crise (uma marolinha). Entretanto, os fundamentos das políticas do Consenso de Washington efetivadas pelo FHC, foram mantidas pelos governos do líder do ABC, sem alterações substanciais significativas. O discurso que justificava tal continuidade era a responsabilidade e pacto estabelecido na Carta aos Brasileiros, idealizado pelo Palocci.
06)    Psicologicamente pensado, depois de mais de dez horas de trabalho em sala de aula, reconheço uma crise de abstinência do povo, uma falta de válvulas de escape. Os programas de auditório imbecis, o futebol, as igrejas neopentecostais com seus milagres ao vivo na TV não foram suficientes para conter a massa popular reprimida. 
07)   É fato que o movimento estudantil secundarista, organizado e bem pautado, mas não levado a sério pela sociedade civil brasileira, até porque é formado em sua grande maioria por estudantes advindos de escolas públicas (e no discurso pós Consenso de Washington, tudo que é público não presta), foi quem iniciou essa onda de protestos. Eles já faziam nos últimos anos manifestos em várias regiões do país, especialmente no nordeste. A pauta inicial dessas mobilizações que tomam conta do país foi colocada por eles: reduzir os preços das passagens de ônibus e melhorar a qualidade do transporte público.
08)   Outros movimentos sociais, como o movimento pelo passe livre, levantaram a mesma bandeira e foram para a rua.  Começaram os manifestos em Goiânia, São Paulo, Rio, BH... Inicialmente a imprensa latia a palavra VANDALISMO.
09)    Depois que jornalistas da Globo, estadão, carta capital, no quinta 13 de junho,  tomaram balas de borracha e repressão da polícia e que o governador de São Paulo Geraldo Alckmin disse que a polícia havia agido corretamente e que os insatisfeitos procurassem a corregedoria, e também o jovem prefeito da rica São Paulo, Fernando Haddad disse que não abaixaria o preço da passagem, aconteceu o que vimos na segunda dessa semana, 17/06, aproximadamente cem mil no Rio, mais de 60 mil em São Paulo, milhares em BH.
10)    O sentimento de indignação da população com os gastos excessivos da copa, bilhões e bilhões atrelados à recorrente corrupção, o custo de vida muito caro, a manipulação da imprensa, levou o povo às ruas. O movimento se consolidou, conquistou setores multifacetados da sociedade, gente de partidos vários, sem partido, de movimentos sociais diversos, classes médias e populares, bandidos...
11)    O que vemos agora são manifestações que fogem do controle do Estado brasileiro e que mostram a fragilidade de nosso aparelho policial (formado sob os paradigmas da assassina ditadura militar). As redes sociais são um poderoso instrumento de rede que liga (link) todos. Não um movimento, mas movimentos dentro de uma grande massa (movimentos conservadores, revolucionários).
12)   Há hoje uma briga de bastidores (gente grande, governadores, parlamentares, líderes dos movimentos sociais, interessados em pautar o movimento ou em imputar o ônus dele à Presidente, ao governo do partido dos trabalhadores). Enfim, estamos diante de algo complexo...
13)   Jovens conscientes politicamente (apesar dessa geração das décadas de 10 e 20 do século vigente ser rotuladas de apolítica) outros tantos indo pela onda, mas estão se inserindo. Saqueadores, jovens que querem jogar para fora sua falta de sentido, sua falta de norte existencial, gerado por um contexto que acabou com os sonhos, com os ideais e utopias da “moçadinha” que vive sem arte ou filosofia (voltados para uma escolarização técnica em função frenética de aprovação de exames)...
14)   Para onde vai essa massa de mais de um milhão, multifacetada, que saiu pelas ruas do Brasil hoje? Desfar-se-á no ar? Quem está pautando essa massa? As pautas que vão de tornar hediondo o crime de corrupção ao fim do forro privilegiado para políticos, são exequíveis? Não há outras pautas mais importantes e revolucionárias que fariam mais efeito e mudariam o Brasil de verdade? Estou aqui pensado... O preço do estado brasileiro, o monopólio cruzado das grandes empresas de comunicação, o péssimo serviço das empresas de comunicação multinacionais que cobram mais caro que nos país europeus ou nos estados unidos e que oferecem um serviço de merda para os trouxas brasileiros? ( aqui em Goiânia não haverá copa do mundo, então não teremos gringos utilizando o 4G, logo ficaremos com a porcaria do 3G pago ao preço daquele oferecido aos nobres do hemisfério norte). O investimento de 10% do BIP para a educação?  O que você pensa?

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Carlos Dornelles briga com Globo na justiça

Por que o embate entre Carlos Dornelles e a Globo é de grande interesse público

Por Paulo Nogueiro
No Diário do centro do mundo
A sociedade tem que saber mais sobre as práticas fiscais de corporações como a Globo
12345
Carlos Dornelles é um verbete grande no espaço de memórias do site da Globo.
Ali ficamos sabendo que Dornelles, gaúcho de Cachoeira do Sul nascido em 1954, fez muitas coisas na Globo.
Vou transcrever um trecho para conhecermos melhor Dornelles na Globo segundo a própria Globo:
Esteve à frente de importantes coberturas, tais como a do comício no Vale do Anhangabaú pela campanha das Diretas Já, em 1984. (…)
Também integrou a equipe mobilizada para a cobertura da doença e, em seguida, do falecimento do então presidente eleito Tancredo Neves.
Em abril de 1989, Dornelles foi transferido para o escritório da TV Globo em Londres, onde começou a trabalhar como correspondente. Durante os anos em que esteve na Inglaterra, realizou importantes coberturas jornalísticas sobre a crise do leste europeu. Na então Tchecoslováquia, cobriu a chamada Revolução de Veludo, em novembro de 1989. No mesmo período, esteve no Irã, onde foi responsável pela cobertura da morte do aiatolá Khomeini, cujo enterro reuniu cerca de dez milhões de iranianos; e na Alemanha, onde acompanhou o primeiro ano-novo após a queda do Muro de Berlim.
Em outubro de 1990, recém-chegado de Londres, Carlos Dornelles foi convidado (…) para trabalhar como correspondente em Nova York. No ano seguinte, participou da equipe de cobertura da Guerra do Golfo, um dos momentos mais marcantes de sua carreira. (…) Ainda como correspondente em Nova York, realizou a cobertura da prisão e da morte do traficante colombiano Pablo Escobar, em 1991 e 1993, e esteve diversas vezes no Peru cobrindo o governo e a queda do ex-presidente Alberto Fujimori.
Ao longo de sua carreira, também participou de importantes coberturas esportivas, como a da Copa do Mundo de 1990, na Itália; a de 1994, nos Estados Unidos, em que o Brasil conquistou o tetracampeonato; e a de 1998, na França. Fez parte, ainda, da equipe que cobriu as Olimpíadas de Seul, na Coreia do Sul, em 1988, e de Sidney, na Austrália, em 2000.
Bem, tanta coisa não foi suficiente para que Dornelles não fosse demitido, em 2008. Dornelles, algum tempo antes, tinha manifestado publicamente seu incômodo com a forma como a Globo vinha cobrindo política.
Antes de ser mandado embora, passou pelo exílio jornalístico siberiano do Globo Rural, encostado e visto por agricultores sem muito que fazer nos domingos pela manhã.
Tanta coisa, também, não foi suficiente para que Dornelles, a partir de um determinado momento na Globo, desfrutasse dos direitos trabalhistas nacionais.
Dornelles foi instado a se tornar, como tantos outros funcionários graduados da Globo, o chamado “PJ” – pessoa jurídica.
É uma manobra comum entre as empresas jornalísticas, com raras e caras exceções como a Abril. Usar PJs é uma gambiarra de discutível legalidade e indiscutível imoralidade.
O objetivo é simplesmente não pagar o imposto devido. A empresa simula que o funcionário presta serviços eventuais, e com isso economiza consideravelmente. Dornelles era um PJ ao deixar a Globo, embora isso não esteja em seu verbete.
Para os cofres públicos, a proliferação de PJs é uma calamidade. Falta dinheiro que poderia construir escolas, ou pontes, ou hospitais.
Para o empregado, é nocivo. Fundo de garantia, 13º salário, férias etc simplesmente desaparecem.
É bom apenas para os acionistas.
O que leva uma empresa como a Globo a isso? Falta de dinheiro? Ora, a Globo – por causa de outro expediente de duvidosa ética, os chamados BVs, algo que mantém as agências de publicidade numa virtual dependência da empresa – fica, sozinha, com praticamente metade de toda a receita publicitária brasileira. (Os BVs — bonificações por volume — explicam em boa parte o milagre de a receita publicitária da Globo aumentar no ano em que teve a pior audiência de sua história. De Xuxa a Faustão, do Jornal Nacional ao Fantástico, o Ibope marcha soberbamente para trás.)
Isso, para resumir, significa o seguinte: a Globo teria que ser administrativamente muito inepta para não ser muito lucrativa com tanto faturamento.
Por que, então, tornar PJs funcionários como Carlos Dornelles, se não é por sobrevivência?
A melhor resposta é: por ganância, associada a um sentimento de impunidade comum em quem tem muito poder de retaliação e intimidação. E esperteza: fazendo este tipo de coisa, a empresa ganha vantagem competitiva sobre as rivais seus custos diminuem. A Abril, que não tem PJs, já foi maior que a Globo. Hoje é algumas vezes menor.
O risco para a empresa é que, em algum momento, em geral na saída, o PJ a processe.
Foi o que Dornelles fez. Ele reivindica mais de 1 milhão de reais da Globo na Justiça.
Empresas jornalísticas deveriam ter um comportamento exemplar nas práticas administrativas, dado o seu papel fiscalizador. Você não pode cobrar retidão de governos e políticos se faz curvas. Isso se chama cinismo. Há que ter muita desfaçatez para dar lições de moral quando você agride o interesse público ao recolher menos imposto do que deveria.
Em vários países, as autoridades estão trazendo à luz aberrações fiscais para que a sociedade se inteire de algo que é crítico para seu bom funcionamento.
Na Inglaterra, vieram à luz os impostos pífios pagos por colossos como Google, Amazon e Starbucks com o propósito de embaraçar as empresas e forçá-la a pagar sua taxa justa.
O caso Dornelles é uma lembrança oportuna de que o governo brasileiro deveria jogar luzes – o mais eficiente desinfetante — nas práticas fiscais de empresas como a Globo com seus PJs de araque.
 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O Golias Ali Kamel contra o Davi Rodrigo Vianna

O processo de Kamel contra Rodrigo Vianna


Do O Escrevinhador
 
Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato… Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida (Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)
 
por Rodrigo Vianna
 
Um advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.
 
Hoje, tivemos mais uma prova. Ano passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a juíza na primeira instância não me permitiu apresentar testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a argumentação do diretor da Globo – sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima para esclarecer minhas posições.
Recorremos ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes de discutir o mérito da ação,pedimos que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidadesque gostaríamos de ver consultados na ação.
O Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou quase integralmente nossa argumentação. Negou o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo, certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.
Sobre esse processo, gostaria de esclarecer alguns pontos. Primeiro, cabe recurso e vamos recorrer!
Segundo, está claro que Ali Kamel usa a Justiça para se vingar de todos aqueles que criticam o papel por ele exercido à frente da maior emissora de TV do país. Kamel foi derrotado duas vezes nas urnas: perdeu em 2006 (quando a Globo alinhou-se ao delegado Bruno na véspera do primeiro turno, num episódio muito bem narrado pela CartaCapital, naquela época) e perdeu em 2010 (quando o episódio da “bolinha de papel” foi desmascarado pelos blogs e redes sociais). Contra as quotas, contra o Bolsa-Família, contra os avanços dos anos Lula: Kamel é um dos ideólogos da direita derrotada. Por isso mesmo, era chamado na Globo de “Ratzinger”.
Em 2010, Ali Kamel virou alvo de críticas fortes (mas nem por isso injustas) na internet. Deveria estar preparado pra isso. Dirige o jornalismo de uma emissora acostumada a usar seu poder para influir em eleições. Passadas as eleições de 2010, Kamel muniu-se de uma espécie de “furor processório”. Iniciou ações judiciais contra esse escrevinhador, e também contra Azenha (VioMundo), Marco Aurélio (Doladodelá), CloacaNews, Nassif, PH Amorim… Todas praticamente simultâneas. Estava claro que Kamel pretendia mandar um recado: “utilizarei minhas armas para o contra-ataque; não farei o debate público, de conteúdo, partirei para a revanche judicial”.
Advogados costumam dizer que em casos assim “o processo já é a pena”. Ou seja: o processante tem apoio da maior emissora do país, conta com advogados bem pagos e uma estrutura gigantesca. O processado (ou os processados) são jornalistas e blogueiros “sujos”, sem eira nem beira. O objetivo é sufocar-nos (financeiramente) com os processos.
Está enganado o senhor Ali Kamel. Aqui desse lado há gente que não se intimida tão facilmente.
Não tenho contra Kamel nada pessoal. Conversei com ele sempre de forma civilizada quando trabalhei na Globo. Troquei com ele alguns emails cordiais – como costumo fazer com todos colegas ou chefes. Kamel utilizou um desses e-mails pessoais na ação judicial, como se quisesse afirmar: “ele gostava de mim quando estava na Globo, deixou de gostar quando saiu da Globo.”
Ora, a questão não é pessoal. Tinha por Kamel respeito, até que comprovei de perto algumas atitudes estranhas (vetos a matérias), culminando com a atuação dele na cobertura do caso dos “aloprados” na eleição de 2006. Na época, eu trabalhava na Globo. Saí da emissora por causa disso. E passei a não mais respeitar Ali Kamel profissionalmente. O discurso que ele fazia na Redação antes de 2006 (“todos podem ser ouvidos, há espaço para crítica”) era falso. Quem criticou ou dissentiu foi colocado na “geladeira” e “expurgado”. Isso está claro. Azenha, Marco Aurelio Mello, Carlos Dornelles e Franklin Martins estão aí para mostrar…
De resto, a utilização de e-mails (estritamente pessoais) numa ação não é ilegal. Mas mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial.
No meu caso, a acusação é de ter “espalhado” pela internet que ele seria um “ator pornográfico”. Quem lê os textos que escrevi neste blog sobre a infeliz homonímia (um ator pornô nos anos 80, aparentemente, usava o mesmo nome que ele – Ali Kamel) logo percebe: em nenhum momento disse que Ali Kamel (o jornalista) seria o Ali Kamel (ator pornográfico).Não afirmei que eram a mesma pessoa nem neguei que o fossem. Não sabia, e isso pouco importava. Apenas usei a coincidência como mote para a crítica, em textos claramente opinativos: pornográfico, sim, é o jornalismo que Ali Kamel pratica tantas vezes à frente da Globo. Foi essa a afirmação que fiz em seguidos textos. Muitas vezes, de forma bem-humorada.
Na apelação ao Tribunal, mostramos como seria importante a juíza de primeira instância ter consultado especialistas em Comunicação (indicamos ao menos dois) para entender a diferença entre opinião e informação. E para entender a centralidade do uso do humor na crítica política.
Mostramos em nossa defesa, ainda, como o impoluto comentarista (e ex-cineasta) Arnaldo Jabor utilizou-se de mote parecido no título de um livro que fez publicar: “Pornopolítica”. Se há uma “pornopolítica”, por que não posso falar em “jornalismo pornográfico”?
Só a Globo e seus comentaristas podem recorrer a metáforas? Parece que sim. Especialmente no Rio de Janeiro. No Rio, a Globo joga em casa.
Vamos recorrer aos tribunais de Brasília. Não que eu tenha grandes esperanças de ver magistrados na capital federal a enfrentar o diretor de Jornalismo da Globo. Mas vou utilizar as armas que tenho.
Mais que isso: se Kamel pensava em calar ou intimidar seus críticos, vai se dar mal. Esse processo vai ajudar a mobilizar aqueles que lutam contra os monopólios de mídia no Brasil. Vai ajudar a escancarar a hipocrisia daqueles que na ANJ e na SIP pedem “ampla liberdade de crítica”, daqueles que usam Institutos Milleniuns para exigir “que não se criem travas ao humor como ferramenta de crítica”, mas que fazem tudo ao contrario quando são eles os objetos da crítica e do humor.
Kamel pode até ganhar no Rio. Pode ganhar no STJ, STF, CNJ, SIP, ANJ, sei lá onde mais. Mas perderá na história. Aliás, já perdeu. Na testa dele está o carimbo (justo ou injusto? o público pode julgar…) de “manipulador de eleições”. Manipulador frustrado, diga-se. Porque segue a perder. No Brasil, na Venezuela, na Argentina…
A Justiça quer que eu pague 20 mil, 30 mil ou 50 mil pro Ali Kamel? Acho absurda a condenação. Mas se for obrigado, eu pago até com certo gosto. Levo lá no Jardim Botânico o cheque pra ele. Ou entrego no apartamento onde ele vive, de frente pro mar na zona sul – palco, vez ou outra, de brigas com os vizinhos que também acabam na Justiça.
Essa condenação, que ainda lutarei para reverter, lembra-me a belíssima letra de Paulo Vanzolini – com a qual abri esse texto…
Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, eu pago! Só que seguirei a fazer - aqui – o contraponto ao jornalismo que você dirige.
Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, esgotados todos os recursos, eu pago!
Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.

O Golias Ali Kamel contra o Davi Rodrigo Vianna

O processo de Kamel contra Rodrigo Vianna


Do O Escrevinhador
 
Na praça Clóvis/Minha carteira foi batida/Tinha vinte e cinco cruzeiros/E o teu retrato… Vinte e cinco/Eu, francamente, achei barato/Pra me livrarem/Do meu atraso de vida (Paulo Vanzolini, “Praça Clóvis”)
 
por Rodrigo Vianna
 
Um advogado amigo costuma dizer: “no Rio, a Globo joga em casa”.
 
Hoje, tivemos mais uma prova. Ano passado, fui condenado em primeira instância, num processo movido pelo diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel. Importante dizer: a juíza na primeira instância não me permitiu apresentar testemunhas, laudos, coisa nenhuma. Acolheu na íntegra a argumentação do diretor da Globo – sem que eu tivesse sequer a chance de estar à frente da meritíssima para esclarecer minhas posições.
Recorremos ao Tribunal de Justiça, também no Rio. Antes de discutir o mérito da ação,pedimos que o TJ analisasse um “agravo retido” (espécie de recurso prévio) que obrigasse a primeira instância a ouvir as testemunhas de defesa e os especialistas de duas universidadesque gostaríamos de ver consultados na ação.
O Tribunal, em decisão proferida nessa terça-feira (15/01), ignorou quase integralmente nossa argumentação. Negou o agravo e, no mérito, deu provimento apenas parcial à nossa apelação – reduzindo o valor da indenização que a meritíssima de primeira instância fixara em absurdos 50 mil reais. Ato contínuo, certos blogs da direita midiática começaram a dar repercussão à decisão. Claro! São todos fidelíssimos aos patrões e ao diretor da Globo, na luta que estes travam contra outros jornalistas.
Sobre esse processo, gostaria de esclarecer alguns pontos. Primeiro, cabe recurso e vamos recorrer!
Segundo, está claro que Ali Kamel usa a Justiça para se vingar de todos aqueles que criticam o papel por ele exercido à frente da maior emissora de TV do país. Kamel foi derrotado duas vezes nas urnas: perdeu em 2006 (quando a Globo alinhou-se ao delegado Bruno na véspera do primeiro turno, num episódio muito bem narrado pela CartaCapital, naquela época) e perdeu em 2010 (quando o episódio da “bolinha de papel” foi desmascarado pelos blogs e redes sociais). Contra as quotas, contra o Bolsa-Família, contra os avanços dos anos Lula: Kamel é um dos ideólogos da direita derrotada. Por isso mesmo, era chamado na Globo de “Ratzinger”.
Em 2010, Ali Kamel virou alvo de críticas fortes (mas nem por isso injustas) na internet. Deveria estar preparado pra isso. Dirige o jornalismo de uma emissora acostumada a usar seu poder para influir em eleições. Passadas as eleições de 2010, Kamel muniu-se de uma espécie de “furor processório”. Iniciou ações judiciais contra esse escrevinhador, e também contra Azenha (VioMundo), Marco Aurélio (Doladodelá), CloacaNews, Nassif, PH Amorim… Todas praticamente simultâneas. Estava claro que Kamel pretendia mandar um recado: “utilizarei minhas armas para o contra-ataque; não farei o debate público, de conteúdo, partirei para a revanche judicial”.
Advogados costumam dizer que em casos assim “o processo já é a pena”. Ou seja: o processante tem apoio da maior emissora do país, conta com advogados bem pagos e uma estrutura gigantesca. O processado (ou os processados) são jornalistas e blogueiros “sujos”, sem eira nem beira. O objetivo é sufocar-nos (financeiramente) com os processos.
Está enganado o senhor Ali Kamel. Aqui desse lado há gente que não se intimida tão facilmente.
Não tenho contra Kamel nada pessoal. Conversei com ele sempre de forma civilizada quando trabalhei na Globo. Troquei com ele alguns emails cordiais – como costumo fazer com todos colegas ou chefes. Kamel utilizou um desses e-mails pessoais na ação judicial, como se quisesse afirmar: “ele gostava de mim quando estava na Globo, deixou de gostar quando saiu da Globo.”
Ora, a questão não é pessoal. Tinha por Kamel respeito, até que comprovei de perto algumas atitudes estranhas (vetos a matérias), culminando com a atuação dele na cobertura do caso dos “aloprados” na eleição de 2006. Na época, eu trabalhava na Globo. Saí da emissora por causa disso. E passei a não mais respeitar Ali Kamel profissionalmente. O discurso que ele fazia na Redação antes de 2006 (“todos podem ser ouvidos, há espaço para crítica”) era falso. Quem criticou ou dissentiu foi colocado na “geladeira” e “expurgado”. Isso está claro. Azenha, Marco Aurelio Mello, Carlos Dornelles e Franklin Martins estão aí para mostrar…
De resto, a utilização de e-mails (estritamente pessoais) numa ação não é ilegal. Mas mostra o grau apurado de ética de quem os utiliza como ferramenta da luta política e judicial.
No meu caso, a acusação é de ter “espalhado” pela internet que ele seria um “ator pornográfico”. Quem lê os textos que escrevi neste blog sobre a infeliz homonímia (um ator pornô nos anos 80, aparentemente, usava o mesmo nome que ele – Ali Kamel) logo percebe: em nenhum momento disse que Ali Kamel (o jornalista) seria o Ali Kamel (ator pornográfico).Não afirmei que eram a mesma pessoa nem neguei que o fossem. Não sabia, e isso pouco importava. Apenas usei a coincidência como mote para a crítica, em textos claramente opinativos: pornográfico, sim, é o jornalismo que Ali Kamel pratica tantas vezes à frente da Globo. Foi essa a afirmação que fiz em seguidos textos. Muitas vezes, de forma bem-humorada.
Na apelação ao Tribunal, mostramos como seria importante a juíza de primeira instância ter consultado especialistas em Comunicação (indicamos ao menos dois) para entender a diferença entre opinião e informação. E para entender a centralidade do uso do humor na crítica política.
Mostramos em nossa defesa, ainda, como o impoluto comentarista (e ex-cineasta) Arnaldo Jabor utilizou-se de mote parecido no título de um livro que fez publicar: “Pornopolítica”. Se há uma “pornopolítica”, por que não posso falar em “jornalismo pornográfico”?
Só a Globo e seus comentaristas podem recorrer a metáforas? Parece que sim. Especialmente no Rio de Janeiro. No Rio, a Globo joga em casa.
Vamos recorrer aos tribunais de Brasília. Não que eu tenha grandes esperanças de ver magistrados na capital federal a enfrentar o diretor de Jornalismo da Globo. Mas vou utilizar as armas que tenho.
Mais que isso: se Kamel pensava em calar ou intimidar seus críticos, vai se dar mal. Esse processo vai ajudar a mobilizar aqueles que lutam contra os monopólios de mídia no Brasil. Vai ajudar a escancarar a hipocrisia daqueles que na ANJ e na SIP pedem “ampla liberdade de crítica”, daqueles que usam Institutos Milleniuns para exigir “que não se criem travas ao humor como ferramenta de crítica”, mas que fazem tudo ao contrario quando são eles os objetos da crítica e do humor.
Kamel pode até ganhar no Rio. Pode ganhar no STJ, STF, CNJ, SIP, ANJ, sei lá onde mais. Mas perderá na história. Aliás, já perdeu. Na testa dele está o carimbo (justo ou injusto? o público pode julgar…) de “manipulador de eleições”. Manipulador frustrado, diga-se. Porque segue a perder. No Brasil, na Venezuela, na Argentina…
A Justiça quer que eu pague 20 mil, 30 mil ou 50 mil pro Ali Kamel? Acho absurda a condenação. Mas se for obrigado, eu pago até com certo gosto. Levo lá no Jardim Botânico o cheque pra ele. Ou entrego no apartamento onde ele vive, de frente pro mar na zona sul – palco, vez ou outra, de brigas com os vizinhos que também acabam na Justiça.
Essa condenação, que ainda lutarei para reverter, lembra-me a belíssima letra de Paulo Vanzolini – com a qual abri esse texto…
Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, eu pago! Só que seguirei a fazer - aqui – o contraponto ao jornalismo que você dirige.
Tudo bem, Kamel, se você e a Justiça fizerem questão, esgotados todos os recursos, eu pago!
Eu pago. Vê-lo derrotado frente à história: não tem preço.