quarta-feira, 20 de novembro de 2013

TV A SERVIÇO DOS BANCOS

O jornal anuncia: os brasileiros pagarão dívidas aos bancos com o seu décimo terceiro. É impressionante como o povo brasileiro, lutador e trabalhador, é vítima de um consórcio: estado, bancos e grandes corporações. Ele funciona como força centrífuga que suga as energias e até os centavos dos trabalhadores brasileiros. Graças a esse consórcio acontece uma acumulação fantástica de riqueza nas mãos de um pequeno grupo, formado por alguns brasileiros e por muitos estrangeiros. É incrível! É revoltante!

CONSCIÊNCIA NEGRA

ESTIVE HÁ UM MÊS EM SALVADOR. UM TAXISTA ME DISSE QUE O QUE ESTRAGA AS PRAIS DE SALVADOR SÃO OS FAROFEIROS. A QUEM ELE SE REFERIA? À MAIORIA NEGRA E POBRE QUE OCUPA AS PRAIS NOS FINAIS DE SEMANA E FERIADOS. ESTIVE DEPOIS NO RIO DE JANEIRO. O QUE ME DISSE UM CARIOCA DO CÁUCASO? O QUE DEIXA ESSAS PRAIAS FEIAS E PERIGOSAS? ESSES FAVELADOS. A QUEM ELE FAZIA REFERÊNCIA? AOS POBRES E NEGROS QUE OCUPAM AS PRAIAS. SAINDO DE UM RESTAURANTE EM COPACABANA, UM SENHOR CHEIO DE BRANCURA VOCIFEROU PARA OS SEUS FAMILIARES: NÃO SEI PARA QUÊ DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA. SERÁ NECESSÁRIO ENTÃO, COMPLETOU, CRIAR O DIA DA CONSCIÊNCIA BRANCA. QUEM SÃO EM GRANDE NÚMERO AQUELES QUE OCUPAM OS GAVETÕES DOS IML'S DAS GRANDES CAPITAIS? JOVENS NEGROS E PARDOS, POBRES. COMO SOMOS UM PAÍS CONCRETA E OBJETIVAMENTE RACISTA, E DA PIOR FORMA. O ESTADO EM TODAS AS SUAS ESFERAS AINDA É COMPLETAMENTE IRRESPONSÁVEL PARA CRIAR E GERIR POLÍTICAS PÚBLICAS PARA INCLUIR A POPULAÇÃO JOVEM SEM ESCOLARIDADE E PROFISSIONALIZAÇÃO ADEQUADAS, O QUE OS TORNAM VULNERÁVEIS AO TRÁFICO E A OUTRAS FORMAS DE CRIMINALIDADE. EM GOIÂNIA, CIDADE JOVEM, NÃO HÁ GRANDES REFERÊNCIAS AO PASSADO COLONIAL. SEQUER É FERIADO POR AQUI. MAS OS EFEITOS DA CULTURA COLONIAL DO RACISMO ESTÃO AQUI DE IGUAL MANEIRA. HOJE É UM DIA DE SE GERAR CONSCIÊNCIA DAS RESPONSABILIDADES DO ESTADO E DA SOCIEDADE CIVIL NA OBJETIVA SUPERAÇÃO DO RACISMO E DA DISCRIMINAÇÃO COM A EFETIVA INCLUSÃO DOS JOVENS NEGROS E PARDOS ATRAVÉS DE POLÍTICAS SÉRIAS DE EDUCAÇÃO, ESPORTE, ARTE, CULTURA E PROFISSIONALIZAÇÃO. NÃO PODEMOS PERMITIR QUE ELES SEJAM APENAS OBJETO DAS POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA, OU SEJA, CASO DE POLÍCIA. ELES DEVEM SER CASO DE POLÍTICA.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

José Dirceu publica carta ao povo brasileiro


Após decretada sua prisão José Dirceu publica uma carta ao povo brasileiro. Leia aqui

"O julgamento da AP 470 caminha para o fim como começou: inovando - e violando - garantias individuais asseguradas pela Constituição e pela Convenção Americana dos Direitos Humanos, da qual o Brasil é signatário.
A Suprema Corte do meu país mandou fatiar o cumprimento das penas. O julgamento começou sob o signo da exceção e assim permanece. No início, não desmembraram o processo para a primeira instância, violando o direito ao duplo grau de jurisdição, garantia expressa no artigo 8 do Pacto de San Jose. Ficamos nós, os réus, com um suposto foro privilegiado, direito que eu não tinha, o que fez do caso um julgamento de exceção e político.
Como sempre, vou cumprir o que manda a Constituição e a lei, mas não sem protestar e denunciar o caráter injusto da condenação que recebi. A pior das injustiças é aquela cometida pela própria Justiça.
É público e consta dos autos que fui condenado sem provas. Sou inocente e fui apenado a 10 anos e 10 meses por corrupção ativa e formação de quadrilha - contra a qual ainda cabe recurso - com base na teoria do domínio do fato, aplicada erroneamente pelo STF.
Fui condenado sem ato de oficio ou provas, num julgamento transmitido dia e noite pela TV, sob pressão da grande imprensa, que durante esses oito anos me submeteu a um pré-julgamento e linchamento.
Ignoraram-se provas categóricas de que não houve qualquer desvio de dinheiro público. Provas que ratificavam que os pagamentos realizados pela Visanet, via Banco do Brasil, tiveram a devida contrapartida em serviços prestados por agência de publicidade contratada.
Chancelou-se a acusação de que votos foram comprados em votações parlamentares sem quaisquer evidências concretas, estabelecendo essa interpretação para atos que guardam relação apenas com o pagamento de despesas ou acordos eleitorais.
Durante o julgamento inédito que paralisou a Suprema Corte por mais de um ano, a cobertura da imprensa foi estimulada e estimulou votos e condenações, acobertou violações dos direitos e garantais individuais, do direito de defesa e das prerrogativas dos advogados - violadas mais uma vez na sessão de quarta-feira, quando lhes foi negado o contraditório ao pedido da Procuradoria-Geral da República.
Não me condenaram pelos meus atos nos quase 50 anos de vida política dedicada integralmente ao Brasil, à democracia e ao povo brasileiro. Nunca fui sequer investigado em minha vida pública, como deputado, como militante social e dirigente político, como profissional e cidadão, como ministro de Estado do governo Lula. Minha condenação foi e é uma tentativa de julgar nossa luta e nossa história, da esquerda e do PT, nossos governos e nosso projeto político.
Esta é a segunda vez em minha vida que pagarei com a prisão por cumprir meu papel no combate por uma sociedade mais justa e fraterna. Fui preso político durante a ditadura militar. Serei preso político de uma democracia sob pressão das elites.
Mesmo nas piores circunstâncias, minha geração sempre demonstrou que não se verga e não se quebra. Peço aos amigos e companheiros que mantenham a serenidade e a firmeza. O povo brasileiro segue apoiando as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e incrementadas pela presidente Dilma.

Ainda que preso, permanecerei lutando para provar minha inocência e anular esta sentença espúria, através da revisão criminal e do apelo às cortes internacionais. Não importa que me tenham roubado a liberdade: continuarei a defender por todos os meios ao meu alcance as grandes causas da nossa gente, ao lado do povo brasileiro, combatendo por sua emancipação e soberania."

Preso durante ditadura brasileira e preso novamente na democracia

Rede Globo, patrocinadora e patrocinada da ditadura brasileira, participou no passado e participou ativamente desse processo que chega ao desfecho de hoje com nova prisão de Zé Dirceu, no dia em que comemoramos a Proclamação da República.

Prisão de Zé Dirceu e Genoíno e a criminalização da política

Globo e seus aliados querem o trabalhismo na cadeia 

Há horas e horas, sem fôlego a tv política rede globo, versão News, fala, comenta, se alegra, comenta de novo, justifica e confirma, como instância superior, a condenação do Partido dos Trabalhadores. É um momento histórico como em 1964. Naquele momento foi um golpe direto com a derrubada do presidente eleito democraticamente, João Goulart. Vale lembrar que esse mesmo grupo anos antes cercava o presidente Getúlio, o que culminou no seu suicídio. 
Os filhos desse mesmo grupo, especialmente a prole de Roberto Marinho (membro da antiga escola superior de guerra que tramou e executou o referido golpe)hoje à frente do maior monopólio midiático da América Latina continuam a seguir os passos do patriarca. Agora com um julgamento político o grupo golpista, em nova versão, quer mais uma vez mais uma vez derrubar o trabalhismo, o novo getulismo. 
A comentarista dessa tv afirma agora que Joaquim Barbosa que veio de um meio pobre de negros que eram presos, agora manda prender. Ela diz em outras palavras que esse negro, ao vez de delinquir como seria sua natural condição de negro, faz algo próprio dos brancos, e dos brancos ricos, manda prender delinquentes que ameaçam os ricos. 
Fico aqui, recordando minhas leituras de Maquiavel. Estamos diante da criminalização da política. É um caminho interessante, especialmente se formos abolir o Estado (como queriam os anarquistas) ou se formos instituir uma nova ditadura seja de direita ou de esquerda. A política é coisa para a elite (banqueiros, midiótas, mega corporações). Não é coisa pra pé rapado, para pobre, sindicalista. Isso sugere essa emissora. Criminalizar a política é uma prática comum na história do Brasil. 
Vamos começar a denunciar em cada rincão desse país vereadores, deputados estaduais, federais, senadores, promotores, juízes prevaricadores, fiscais das fazendas... vamos fazer mesmo uma faxina. O povo que isso. O povo quer o poder, quer a moralização da política. Agora, esse povo tem o verdadeiro alvo dessa bandalheira toda: os donos do grande capital, os banqueiros, as corporações midiáticas, os especuladores, essa gente que suga até a alma dos brasileiros. Apoio as prisões de todos os delinquentes da política, tucanos, demos, verdes, amarelos, todos os trambiqueiros, sonegadores, exploradores do povo, ladrões da república. Vamos sim passar o Brasil a limpo!

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

II Encontro De Blogueiros e Ativistas Digitais de Goiás

Participem!!!!!!!!



É com muita alegria que compartilho com todos os amigos dessa rede social o convite para o II Encontro de Blogueiros e Ativistas Digitais de Goiás. 
Trata-se de uma realização do núcleo Goiás do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé (http://www.baraodeitarare.org.br/).
Nesse grande evento que conta com a presença de grandes ativistas digitais de renome nacional como é o caso do jornalista Altamiro Borges, o nosso Miro, de Rodrigo Vianna (http://www.rodrigovianna.com.br/), Conceição de Oliveira (http://mariafro.com/), Marcus Vinícius e Camila Marques (http://artigo19.org/?p=2750), além da deputadaIsaura Lemos e do vereador Tayrone Di Martino, debateremos democratização da comunicação, marco civil da Internet, judicialização da liberdade de expressão, análise da conjuntura da comunicação no Brasil e caminhos práticos para quem quer ser ativista digital, com trocas de experiências. 
Vivemos tempos de uma falsa liberdade de expressão e de imprensa que esconde,na verdade, uma sociedade vigiada e censurada pelo poder econômico e político. Convidamos a todos, professores, universitários, estudantes, donas de casa, trabalhadores, ativistas políticos e de movimentos sociais.
Peço que compartilhem esse convite e que participem desse grande evento que preparamos para você! 
Anote na sua agenda: DIA 30 DE NOVEMBRO, NO AUDITÓRIO SOLON AMARAL, NA ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA. Esperamos você lá!

PARA FAZER SUA INSCRIÇÃO É MUITO SIMPLES. Acesse: https://docs.google.com/forms/d/100mVLxr6UWfGHE80a5yA3I5h0BIgWtsaXmfS8jKHujM/viewform


Núcleo Goiás do Barão de Itararé

terça-feira, 22 de outubro de 2013

O leilão do campo de Libra

Publicado em 21/10/2013

Leilão derrotou os
black blocks do mercado!

Vitória política de mestre. Econômica, poderia ser uns centímetros a mais


Saiu no blog Tijolaço:

Libra: vitória política completa. Econômica, um pouco menos que o possível



Politicamente, a vitória obtida pelo Brasil no leilão não poderia ter sido maior.

A presença minoritária da Shell no consórcio da Petrobras jogou por terra todo o blá-blá-blá de que as regras eram inviáveis, que as empresas comerciais temiam a ingerência do governo, que a partilha era um modelo fadado ao fracasso.

A outra empresa privada, a Total, é muito ligada ao governo francês, que tem participação acionária e já se esperava que pudesse entrar no consórcio por razões estratégicas de abastecimento. Mas não a Shell.

Deixou de queixo caído todos os “mercadistas” que não entenderam que as americanas e inglesas caíram fora por conta da espionagem e a “dupla cidadania” da Shell – também holandesa – a deixou menos exposta ao escândalo.

Nem a Miriam Leitão tem o que falar sobre isso, agora.

Do ponto de vista do resultado econômico do leilão, todos viram que o representante do consóricio esperou até os últimos segundos para entregar aquele envelope.

Claro, porque havia outro, com um lance maior, para o  caso de haver outros na disputa.

Se não há, vai a proposta mínima, até porque a Petrobras não tem como forçar seu aumento se não há licitantes a vencer.

Poderíamos ter alcançado os 80% de participação estatal, mas acabamos ficando, como mostrou o post anterior, em 75,73%.

Duas razões nos impediram,

A primeira, o alto bônus de assinatura, que criou dificuldades de desembolso imediato para a Petrobras. E isso, com todo apoio que este blog deu ao leilão, jamais deixou de ser objeto de crítica, sobretuso porque derivou das necessidades imediatas de caixa do Governo para alcançar a meta de superávit primário, aquele do maldito tripé que a direita e, agora, Marina Silva, endeusam.

A segunda, a pressão política.

Não a das poucas dezenas de manifestantes  ali fora do leilão que, tirando meia-dúzia de provocadores black blocs – são gente nacionalista.

A pressão vem de outros black blocs, os mascarados do mercado, que vêm vandalizando as ações da Petrobras faz tempo, sob a música de desastre que a mídia incessantemente toca para a empresa com mais reservas novas a explorar neste momento no mundo.

Nada isso, entretanto, diminui meu otimismo com a exploração de Libra. Até porque, fora da parcela de lucro embolsada pela União, pela Petrobras e pelas outras empresas do consórcio, existe uma parcela imensa, de algo perto de US$ 300 bilhões, que vai ser apropriada pelo país na forma de salários, compras de insumos e de encomendas com o máximo possível de conteúdo nacional, como é tradição da Petrobras, e que, por isso, vai irrigar nossa economia com impostos e salários.

Nem falo, também, no horizonte de cooperação que ela abre com a China, que lentamente vai assumindo o seu papel de parceiro estratégico do nosso país.

O Brasil está de parabéns. Provamos que é possível juntar a defesa dos interesses nacionais, o controle de nossas matérias primas estratégicas, a eficiência tecnológica e operacional com a necessária captação de recursos para o desenvolvimento de nossa indústria petroleira.

O petróleo teve três fases neste país.

A primeira, a de acreditar que ele existia e encontrá-lo.

A segunda, a de sermos capazes tecnologicamente de extraí-lo, nas difíceis condições onde ele surgiu.

A terceira, agora, a de sermos capazes de mobilizar, sem perder a soberania sobre ele, os recursos necessários a realizar essa imensa riqueza potencial.

Demos um passo gigantesco e seria tolice deixar de reconhecê-lo por acharmos que se poderia ir alguns centímetros além.

E, depois dos retrocessos que a década neoliberal nos obrigou, estamos mais longe do que qualquer um de nós poderia pensar naqueles anos amargos.

Esta caminhada jamais foi fácil, jamais foi simples.

Mas não há de parar nunca.

Por: Fernando Brito

domingo, 20 de outubro de 2013

O que comemorar no dia do professor?

                                                           * Railton Nascimento Souza

    O que comemorar hoje, no dia do professor? O filósofo francês Gilles Deleuze já nos avisou há muitos anos que a lógica da empresa passou a dominar todas as antigas instituições disciplinares (igreja, escola, família...) antes assim compreendidas por Foucault como lugares de confinamento, vigilância e punição, onde o indivíduo aprendia a ser "sujeito", sujeito às verdades sociais. O que observamos no dia a dia das instituições de ensino privadas, mas até mesmo nas públicas, é essa lógica agressiva da empresa capitalista.
    A escola é uma máquina contínua de produção de provas em sistema ininterrupto... que não pode parar. Seu fim e grande objetivo é apenas um: o lucro. O professor não pode adoecer, seu pai não pode morrer, seu filho não pode nascer. Um desarranjo intestinal já é suficiente para interromper a produção.  A linha produtiva não pode parar. O professor deve estar lá em frente ao maquinário escolar na hora, minuto e segundo exatos. Essa lógica faz com que a quantidade seja mais importante que a qualidade. Aulas, aulas e aulas... segunda, terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo, e se não impedidos pela lei, até mesmo nos feriados e dias santos. Os alunos fazedores compulsivos de provas, recebem um bombardeio de informações, e muitas vezes não conseguem fazer uma adequada conexão entre elas para compreender a realidade na sua totalidade. Para fazer uma leitura política e ética das relações sociais nas quais estão implicados.
     Algumas vezes o ambiente escolar é triste. O "dionisíaco" quase que inexiste. Jovens pálidos, máquinas também, mecânicos, "apolíneos" demais em plena juventude, como diria o mestre Nietzsche. Uma racionalidade do mercado impera nas escolas, treina e prepara infinitamente fazendo provas e preparando para novas provas... Agora a prova da vez é o tão esperando ENEM. A arte, a vida, a música, o teatro, o riso, o lúdico, o desportivo, o bater do violão, o diferente, a alegria de viver, as pulsões criadoras, o exercício juvenil da liderança política estudantil, a "desordem 'ordenadora' de Dionísio" que faz  a alma encontrar sua 'sanidade' ao se expressar com o grito cênico, não encontram lugar nessa maquinaria. Como no The Wall do Pink Floyd, estamos todos caminhando enfileirados para essa a "moeção". Com esse sangue e carne humanas fazemos o sistema funcionar.
    Estamos na época do controle. Agora quando aqui vos escrevo no facebook, na iminência de entrar para a sala de aula nesse 15 de outubro de 2013, dia do professor, sei que sou controlado e que também controlo. Essa rede social aqui é um poderoso instrumento de controle. Todos estão vigiando a todos. O que cada um pensa, o que cada um diz, suas tendências ideológicas, suas posições políticas. Mas vivemos, cremos, num regime democrático de liberdades. Aliás alguns ainda creem que esse sistema tem como maior valor político e cívico, a liberdade. Muitos ainda pensam que a liberdade de imprensa, por exemplo, é autêntica liberdade de expressão, e não liberdade de "empresa" comprometida tão somente com seus dividendos. O uso autêntico da liberdade é um exercício daqueles que decidiram ser autárquicos.
    Afinal, o que devemos comemorar hoje? Comemorar a força de cada colega, de cada professor que apesar de muitas vezes não serem devidamente respeitados ou reconhecidos como educadores, mas vistos como "dadores de conteúdos, repetidores de saberes vistos", "descartáveis" especialmente quando passam dos cinquenta ou sessenta, mudam a realidade, abrem perspectivas novas para seus discentes, alimentam sonhos, fomentam o novo e formam a cidadania.
     Parabéns aos colegas que, muitas vezes doentes, estão diante de seus alunos com um sorriso no rosto. Parabéns aos colegas que ainda têm forças para ensinar com alegria, mesmo depois de horas e horas corrigindo centenas de provas. Parabéns aos colegas que nunca ouviram de seus diretores ou coordenadores, um elogio sequer pelo seu genial trabalho. Parabéns às professoras que cuidam de crianças tão pequenas, que levam tanto trabalho para casa, e que não recebem nem um centavo de hora atividade por isso. Parabéns aos professores que, ainda em um ambiente desumano, estranho, de relações tão frágeis, cultivam laços de amor e amizade. Parabéns aos alunos por manifestarem tanto carinho e amor aos mestres. Parabéns àqueles que mesmo não vendo esperança no horizonte, insistem em mantê-la como força utópica que os move rumo ao amanhã. Parabéns colegas, parabéns seu dia!

Railton Nascimento Souza, docente no ensino superior e médio, é especialista em ensino de filosofia pela Universidade de Brasília (UnB), diretor de formação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil e diretor de formação do Sinpro Goiás.